No meio do caminho, tinha Vênus

Tinha Vênus no meio do caminho
Estou parafraseando Carlos Drummond de Andrade para falar de duas missões espaciais que esta semana sobrevoaram o nosso vizinho Vênus.
O sobrevoo rendeu uma selfie de Vênus em preto e branco. O registro foi captado esta semana pela missão BepiColombo – parceria das agências espaciais europeia (ESA) e japonesa (Jaxa).
De acordo com a ESA, a imagem foi feita no último dia 10 quando a espaçonave estava a cerca de 1,5 mil quilômetros de Vênus, sendo que a maior aproximação do planeta foi de 552 quilômetros.
Esta missão está a caminho de Mercúrio e deve fazer o primeiro sobrevoo no planeta dia 1º ou 2 de outubro e entrar na órbita mercuriana em 2025. O objetivo é saber mais sobre atmosfera rarefeita do astro mais próximo do Sol.
Vênus também esteve na rota de outra missão esta semana. A Solar Orbiter fez um sobrevoo, no último dia 9, e chegou a cerca de 8 mil quilômetros do planeta. Esta é uma parceria da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). Neste caso, a superfície do Sol, além dos ventos solares e da influência da estrela no nosso sistema serão analisados.
De acordo com a ESA, ambas as missões, que distanciaram 33 horas uma da outra, sentiram os efeitos da gravidade e de temperatura ao aproximarem-se de Vênus.
A agência espacial ressalta também que foi possível captar informações sobre a atmosfera do planeta em interação com ventos solares.
Segundo a agência, dados coletados durante os sobrevoos foram transformados em frequência para serem perceptíveis ao ouvido humano.
Mas por que Vênus no meio do caminho?
O professor do Instituto de Física da Universidade de Brasília José Leonardo Ferreira explica que o planeta servirá como um estilingue grativacional para que as espaçonaves alcancem seus pontos finais.
De acordo com o especialista em ciências espaciais, a manobra orbital assistida por gravidade é uma estratégia adotada em diversas missões, como por exemplo no caso das sondas Voyagers, que hoje estão se dirigindo para fora do sistema solar.
O professor lembra ainda que a BepiColombo conta com um esquema de sistema avançado de propulsão elétrica, também conhecido como propulsor a plasma para atingir o planeta Mercúrio.
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