Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que uma parcela expressiva dos trabalhadores brasileiros está concentrada nas faixas mais baixas de rendimento. Segundo dados do Censo Demográfico 2022, 35,3% das pessoas ocupadas com 14 anos ou mais recebiam até um salário mínimo pelo trabalho.
O levantamento considera o rendimento do trabalho e divide a população ocupada em diferentes faixas de renda. Os dados mais detalhados disponíveis pelo Censo mostram que 24,2% recebiam mais de meio até um salário mínimo, enquanto 6,3% estavam na faixa de mais de um quarto até meio salário mínimo e 3,9% recebiam até um quarto do salário mínimo. Outros 1% declararam não ter rendimento.
De acordo com o IBGE, a maior concentração estava entre aqueles que recebiam mais de um a dois salários mínimos, grupo que representava 32,7% das pessoas ocupadas.
Na sequência aparecem:
24,2% — mais de ½ até 1 salário mínimo;
6,3% — mais de ¼ até ½ salário mínimo;
3,9% — até ¼ de salário mínimo;
32,7% — mais de 1 até 2 salários mínimos;
14,2% — mais de 2 até 3 salários mínimos;
10,1% — mais de 3 até 5 salários mínimos;
5,1% — mais de 5 até 10 salários mínimos;
1,2% — mais de 10 até 15 salários mínimos;
0,7% — mais de 15 até 20 salários mínimos;
0,7% — mais de 20 salários mínimos.
Somando as faixas, o IBGE aponta que 35,3% dos ocupados recebiam um salário mínimo ou menos, enquanto apenas 7,6% recebiam mais de cinco salários mínimos.
Os números ajudam a dimensionar a desigualdade na distribuição dos rendimentos do trabalho no país. Embora a maior faixa individual esteja entre um e dois salários mínimos, mais de um terço dos trabalhadores estava concentrado em rendimentos de até um salário mínimo.
É importante destacar que “receber até um salário mínimo” não significa necessariamente ganhar exatamente um salário mínimo. A estatística reúne pessoas sem rendimento e trabalhadores que recebem valores abaixo ou iguais ao mínimo.
Também é preciso diferenciar rendimento do trabalho de renda familiar. Uma pessoa pode receber um salário mínimo, por exemplo, mas morar em uma família onde outros integrantes também possuem renda. Por isso, os indicadores de rendimento individual e rendimento domiciliar per capita não devem ser confundidos.
Em 2026, o salário mínimo nacional está fixado em R$ 1.621, valor que passou a vigorar em 1º de janeiro. O reajuste foi estabelecido pelo Decreto nº 12.797, de dezembro de 2025.
O Ministério do Trabalho e Emprego estima que o reajuste de 2026 alcance cerca de 62 milhões de pessoas, entre trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais vinculados ao salário mínimo.
Os dados mais recentes da PNAD Contínua mostram que o rendimento médio real de todos os trabalhos chegou a R$ 3.507 no terceiro trimestre de 2025, com crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, a massa de rendimento real de todos os trabalhos foi estimada em R$ 374,8 bilhões.
A média, entretanto, não significa que a maior parte dos brasileiros receba esse valor. Ela é calculada somando os rendimentos e dividindo pelo número de trabalhadores, podendo ser elevada pelos salários mais altos.
Por isso, a distribuição por faixas de renda é importante para entender melhor a realidade econômica da população.
Outro indicador do IBGE reforça essa diferença. Em 2022, 60,1% da população brasileira vivia com renda domiciliar per capita de até um salário mínimo. Esse cálculo é diferente do rendimento do trabalho, pois considera a renda do domicílio dividida pelo número de moradores.
Os números mostram, portanto, que o salário mínimo continua tendo um peso importante na economia brasileira, especialmente para famílias de menor renda. Ao mesmo tempo, a concentração de trabalhadores nas faixas de até dois salários mínimos revela o desafio de ampliar os rendimentos e reduzir as desigualdades no mercado de trabalho.
Observação: os percentuais de distribuição dos trabalhadores utilizados nesta matéria são do Censo Demográfico 2022, do IBGE. O valor do salário mínimo foi atualizado para R$ 1.621 em 2026, mas isso não significa que os percentuais do Censo tenham sido recalculados com o valor atual.
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