O Brasil continua sendo um dos mercados mais estratégicos para a Uber no mundo — e a empresa afirma que ainda existe espaço para ampliar sua atuação no país. Apesar do avanço de concorrentes, especialmente plataformas asiáticas, a companhia mantém planos de investimento e considera o mercado brasileiro fundamental para sua estratégia global.
Em entrevista concedida em março de 2026, o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, afirmou que o Brasil é o principal país da empresa em número de viagens e que o mercado brasileiro é maior, nesse quesito, do que o dos Estados Unidos. Segundo o executivo, o país tem sido uma “máquina de crescimento” para a companhia.
A dimensão da operação ajuda a explicar o interesse da empresa em continuar investindo no Brasil. De acordo com dados divulgados pela própria Uber, mais de 2 milhões de brasileiros geram renda por meio da plataforma, entre motoristas e motociclistas parceiros.
A companhia também informa que aproximadamente 140 milhões de brasileiros já utilizaram o aplicativo pelo menos uma vez, o equivalente a cerca de 85% da população adulta do país. Desde o início da operação brasileira, em 2014, já foram realizadas mais de 17 bilhões de viagens.
A Uber começou a operar no Brasil pelo Rio de Janeiro, às vésperas da Copa do Mundo de 2014, e atualmente está presente em todas as capitais e nas principais regiões metropolitanas brasileiras.
O crescimento não está limitado ao transporte de passageiros. A Uber também vem ampliando sua estrutura tecnológica no país.
Segundo o CEO da companhia, a empresa pretende investir mais de R$ 2 bilhões em tecnologia no Brasil, incluindo a expansão do centro tecnológico para o Rio de Janeiro. A estrutura brasileira conta atualmente com cerca de 500 engenheiros, número que, segundo Khosrowshahi, deverá ser dobrado nos próximos anos.
A estratégia mostra que o Brasil não é visto apenas como um mercado consumidor, mas também como um polo de desenvolvimento de tecnologia para a Uber.
Apesar do potencial, o cenário brasileiro ficou mais competitivo em 2026. O país foi apontado pela própria companhia como um dos fatores que contribuíram para a desaceleração do crescimento global das viagens da Uber no segundo trimestre.
Dados divulgados em agosto mostram que o número de viagens da empresa no mundo cresceu 18% entre abril e junho, chegando a 3,87 bilhões. O resultado ficou abaixo da expectativa dos analistas, e o Brasil apareceu entre os fatores que pressionaram o desempenho, em meio ao avanço de concorrentes chinesas e aos efeitos do câmbio.
Mesmo assim, a empresa mantém sua aposta no mercado nacional.
O setor de transporte por aplicativos no Brasil passa por uma nova fase de disputa. Além das empresas tradicionais, plataformas estrangeiras vêm buscando conquistar espaço no país, aumentando a pressão por preços, motoristas e usuários.
Para a Uber, a expansão da concorrência não elimina o potencial do mercado brasileiro. A companhia aposta principalmente no tamanho da sua base de usuários, na quantidade de motoristas parceiros e na presença consolidada construída ao longo de mais de uma década.
Outro tema que pode influenciar o futuro da Uber no Brasil é a regulamentação do trabalho realizado por meio de aplicativos.
O Congresso discute propostas para estabelecer novas regras para a atividade dos motoristas. Em entrevista à Folha, o CEO da Uber afirmou que, caso uma eventual legislação obrigasse a empresa a contratar todos os motoristas, os preços das viagens poderiam aumentar significativamente e a oferta de corridas poderia ser reduzida. Ao mesmo tempo, deixou claro que a empresa pretende continuar no Brasil.
A presença da Uber em grande parte do território nacional, a quantidade de usuários e o número de pessoas que utilizam a plataforma para gerar renda fazem do Brasil um mercado difícil de ignorar.
A empresa já alcançou uma presença expressiva: são mais de 17 bilhões de viagens realizadas desde 2014 e mais de R$ 225 bilhões repassados pela plataforma a motoristas e motociclistas parceiros, segundo dados da própria Uber.
Ao mesmo tempo, o cenário mudou. A concorrência está maior, novas plataformas disputam espaço e o debate sobre as regras para trabalhadores de aplicativos pode alterar o funcionamento do setor.
Ainda assim, a mensagem da Uber é clara: mesmo depois de conquistar uma parcela gigantesca do mercado brasileiro, a empresa acredita que ainda há espaço para crescer.
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