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NOTÍCIA

Entrevista com o empresário Flavio Hermes

O empresário Flavio Hermes deu sua opinião sobre alguns assuntos que estão sendo muito debatidos atualmente.

Data: Terça-feira, 30/06/2020 14:27
Por: Metrô FM Juína
Redes Sociais

Flavio Hermes é natural de Águas de Chapecó – SC, tem 49 anos de idade e veio para Juína em 1979, ele já mora aqui há 41 anos, é casado e pai de 2 meninas gêmeas. Formado em Administração pela UFMT; fundador da Delta Tecnologia Deltatech Informática & Automação Comercial - ano de 1996, e da Plenus Tecnologia Plenustech Software de Gestão Empresarial - ano de 2006; membro do Conselho de Administração da Sicredi Univales; membro da diretoria da Ascom/CDL Juína.

O empresário Flavio Hermes deu sua opinião sobre alguns assuntos que estão sendo muito debatidos atualmente.

 

Sobre o isolamento social e o fechamento de empresas devido à pandemia do novo coronavírus.

Que certo grau de isolamento social é necessário para vencer o combate contra o coronavírus ninguém discute, quanto menos aglomerações houver menos a contaminação se espalha, o princípio da precaução deve ser observado sempre, mais especialmente diante de ameaças desconhecidas, como é o caso, contudo não é racional afirmar que é preciso ou mesmo que seja possível escolher, por exemplo, entre a vida e a economia, afinal a economia não é sobre dinheiro, a economia sobre produção e distribuição de bens e serviços essenciais à vida humana, tirando o ar que nós respiramos todas as coisas que nós necessitamos chegam até nós graças ao trabalho de inúmero outras pessoas, na maior parte desconhecidas, pessoas que cooperam entre si para nos servir, e as necessidades das pessoas não ficam suspensas durante o período da pandemia, se a gente ficar isolado as nossas necessidades não desaparecem, dessa forma para que uma parte das pessoas possam ficar em casa, possam permanecer em isolamento, outra parte obrigatoriamente deve sair para trabalhar, então você mesmo que não coloca o nariz para fora de casa vai continuar precisando de bens e serviços que só vão chegar até você se um exército de pessoas sair de casa para fazer isso, então se você pode trabalhar em casa, trabalhe em casa, pode ficar em casa sem trabalhar, fica em casa, mas se você precisa sair de casa para trabalhar, então tome todo cuidado possível, não corra riscos desnecessários, não crie riscos para os outros, peça a proteção de Deus e vai trabalhar, não tem outra maneira.

O fato é que, se a gente for fazer uma comparação com uma pandemia do passado, de 100 anos atrás, que é a gripe espanhola, ela durou entre os anos de 1918 e 1920, então foram cerca de 2 anos em que o vírus circulou pelo mundo, imagina então se é possível que a gente fique durante 2 anos isolados dentro de casa é impensável, é inimaginável, desta maneira, como a gente não tem como ficar esse tempo todo dentro de casa, o que a gente precisa fazer é aprender a como sair de casa minimizando os riscos, ou seja, fazendo tudo aquilo que for possível para que o risco de contaminação seja diminuído, esta é a tarefa que nós devemos buscar responder, a pergunta que nós devemos buscar responder, não é se nós podemos ficar em casa durante dois anos, mas sim como é que nós podemos sair de casa com segurança para desenvolver as nossas atividades, essa pergunta deve ser respondida.

Nós já temos exemplos mundo a fora de que é possível realizar as atividades, nossas atividades profissionais, rotineiras, com um certo nível de segurança para que a pandemia não se alastre ainda mais, para que a contaminação não aumente, como é que isso é feito, em primeiro lugar precisamos ainda evitar aquilo que alguns estudiosos chamam de super espalhadores, ou seja, aquelas coisas que realmente fazem com que o vírus se espalhe, o que são elas? Primeiro, aglomerações, coisas como trens, metrôs e aviões lotados, são um prato cheio para o vírus, é um ambiente que ele adora e que o ajuda a se espalhar de forma espantosa, esse tipo de concentração de pessoas em locais fechados, em locais em que um protocolo de higiene e distanciamento mínimo não possa ser observado, esse tipo de coisa deve ser evitado, é algo com o qual nós devemos trabalhar.

Em segundo lugar, já está comprovado, e os países asiáticos são os primeiros ou foram os primeiros a usar isso de forma maciça, que máscara ajuda sim, as máscaras contribuem para inibir a proliferação do vírus, então o uso de máscara, embora possa ser desconfortável para muitos, ele é importante, então evitando aglomerações, fazendo uso de máscara nós já demos dois passos importantes, o terceiro passo é estabelecer protocolos rígidos de higiene nas nossas empresas, nos nossos locais de encontro, nas igrejas, nas escolas, e assim por diante, de forma que as atividades possam ser retomadas com os riscos sendo minimizados, é impossível evitar a todo custo o risco, sabemos que isso não tem jeito, é preciso então que a gente entenda que o fato de se isolar dentro de casa não é garantia de não ser contaminado porque algumas pessoas de dentro de caso vão precisar sair, porque coisas de fora vão ter que entrar, de um jeito ou de outro as pessoas podem ser contaminadas, então o que nós podemos fazer é tentar reduzir ao máximo os fatores de risco, evitando esse super espalhadores, as aglomerações, fazendo uso de máscaras, tomando um cuidado especial com a higiene, lavar as mãos constantemente, uso de álcool em gel e assim por diante, tomadas todas essas precauções vida que segue, as atividades devem funcionar normalmente, mas apenas as atividades essenciais? Aí eu gostaria de fazer uma pergunta de volta, quem é que determina o que é uma atividade essencial? Um burocrata? Um político? E essa atividade é essencial do ponte de vista de quem, de quem está determinando? Porque se for assim certamente do ponto de vista de um cabeleireiro, de uma manicure, uma atividade essencial é atividade que põe o pão na mesa, é a atividade que lhes provem o sustento, que lhes permite alimentar os filhos, então no fundo não existem atividades que não sejam essenciais, senão aquelas atividades que não são livres, que são obrigatórias, essas atividades podem ficar para lá, agora estas atividades que provém o sustento das pessoas, elas precisam, elas podem e devem ser desenvolvidas, mas repito, mediante protocolos de cuidados bastante conscientes, bastante cautelosos, para que a gente não se coloque em risco e não coloque em risco a vida das outras pessoas, isso é muito importante, isso é muito relevante.

Então esse cuidado que nós devemos ter em evitar aglomerações, eventos com muitas pessoas, nós vamos precisar continuar tendo, pelos próximos meses e talvez ainda por cerca de dois anos, a exemplo da gripe espanhola, então dado que é impossível permanecer em casa, dado que é impossível sustar a atividade econômica durante todo esse tempo, porque as pessoas continuam tendo as suas necessidades, a gente vai precisar aprender a conviver com o problema e aprender a trabalhar dentro dele, na existência dele, na melhor maneira possível, utilizando todas as armas a nosso favor, nós temos inteligência para isso, somos capazes de desenvolver e aprimorar protocolos de higiene, protocolos de cuidados com os nossos ambientes de trabalho, com as nossas empresas, seja no supermercado, na farmácia, na loja de conveniência, no posto de gasolina, material de construção, na loja de vestuário e calçados, na barbearia, não importa, todos esses lugares são legitimamente atividades úteis, necessárias e essenciais para quem vive delas e devem ter o direito de continuar funcionando normalmente desde que resguardados os devidos cuidados.

 

O empresário comenta sobre alguns males que surgiram junto à pandemia.

Como se não bastasse os males da pandemia em si, a gente vê um conjunto de males acessórios nascendo dela, ou melhor, nascendo da reação à pandemia. O primeiro deles que eu poderia destacar aqui é o aumento do autoritarismo, ficou bastante claro agora durante essa quarentena ou ainda está ficando claro que os políticos mundo a fora perceberam que é muito fácil trancar as pessoas dentro de casa, impressionante como isso aconteceu, e foi um fenômeno mundial, embora só o tempo vai dizer qual foi a diferença entre quem trancou a sua população em casa e quem não trancou, o fato é que muitos políticos adoraram essa possibilidade, muitos ali estavam realizando alguns sonhos de poder dizer o que é que a gente pode fazer, quando que a gente pode fazer, como que a gente pode fazer, e onde a gente pode fazer, então o autoritarismo é uma das coisas preocupantes, dos danos colaterais da reação a pandemia, isso leva ao cerceamento das liberdades, então nós tivemos prejudicada nossa liberdade de ir e vir, a nossa liberdade de exercer as nossas atividades, e isso certamente não é uma coisa boa, isso ainda vai trazer bastante prejuízo.

O fato é que além do autoritarismo, além do problema do cerceamento das liberdades, nós temos por parte dos governos um aumento de gastos sem precedentes, o que vai acontecer com esse aumento de gasto? ele vai aumentar a dívida pública. A dívida pública ela é paga com dinheiro de imposto, então para que ela seja paga, no momento futuro, o imposto terá que ser aumentado também, se esse imposto não puder ser aumentado, porque já está no limite do suportável, o que é que o governo normalmente pode fazer é aumentar a emissão de moeda, gera mais crédito através do Banco Central, imprimir dinheiro como popularmente se fala, mas qual que é o resultado disso? é o aumento da inflação, e inflação também é um tipo de imposto, ela desvaloriza a dívida do governo às custas da desvalorização do nosso dinheiro, ou seja, da diminuição do nosso poder de compra, então nós podemos nos preparar para nos próximos anos um aumento da Carga Tributária, ou um aumento da inflação, ou no caso do Brasil, como aqui normalmente acontece de tudo né, provavelmente as duas coisas em conjunto, infelizmente.

Então é importante a gente ficar atento porque agora nesse momento todo mundo pede que o governo socorra todo mundo e em algumas situações é, digamos assim, a única coisa a se fazer, é o governo fazer o que tem feito, devolver uma parte daquilo que já arrecadou para as pessoas que estão em dificuldade, mas se isso aumentar, começar a jorrar dinheiro através de crédito subsidiado para gastos, para investimentos que a gente muitas vezes vê virarem pó, como os do Eike Batista por exemplo, alguns anos atrás, se isso for muito longe as dificuldades que nós iremos enfrentar no futuro serão muito grandes,  mas muito grande mesmo.

É muito importante agora antes de sair pedindo que os governos socorra todos e todo mundo, que a gente leve em conta o seguinte, nós é que vamos pagar isso no futuro, esse dinheiro não vai surgir do nada, isso vai ser pago pele o criador de riqueza, pele trabalhador, pelo pagador de imposto, não tem outro jeito, então a pandemia já é um mau grave o suficiente, mas ainda, infelizmente, trouxe para nós essa questão do autoritarismo que está possibilitando um nível de controle para os políticos que eles não sonhavam antes disso, o cerceamento das nossas liberdades individuais e daqui a pouco o aumento da voracidade na arrecadação de impostos para cobrir essa brincadeira toda, então infelizmente alguém terá de pagar essa conta e se a gente quiser saber quem é que vai pagar é só olhar no espelho e nós vamos descobrir.

 

Sobre nossa economia regional neste momento tão delicado.

Eu acredito sobre a economia regional, que o nosso problema não é nem a falta de medidas tomadas ou a ser tomadas por parte do governo, mas na verdade o excesso de medidas tomadas pelos governos nas últimas décadas, foram tomadas medidas que na prática confiscaram propriedades quando elas alteraram arbitrariamente as regras sobre, por exemplo, percentual da propriedade que um indivíduo poderia utilizar, então nós que estamos aqui há mais tempo, nós sabemos que quando viemos para cá ou no meu caso que fui trazido para cá eu tinha apenas 8 anos de idade, os nossos pais, nossos avós, as pessoas que nos trouxeram, tinham aqui uma terra para explorar, adquiriram essa terra com uma certa quantidade, uma expectativa de poder utilizar uma certa quantidade dela, na ocasião 80% e que em determinado momento isso foi invertido, ou seja, apenas 20% daquela propriedade poderia ser utilizado, isso foi uma medida de confisco que não é noticiada né, ninguém veio e disse assim "Olha, trabalhadores proprietários no estado de Mato Grosso e outros estados do Brasil tiveram 80% da sua área confiscada pelo Estado", área inclusive que tinha sido vendida pelo próprio estado, isso foi uma medida que impactou na economia da nossa região até hoje e vai continuar impactando, além dessa medida que impactou grandemente, inúmeras outras centenas de outras medidas menores foram criando embaraços burocráticos para dificultar as coisas, talvez naquela tentativa de criar dificuldades para vender facilidade, então praticamente hoje o produtor se sente naquela posição de quem está em algum momento cometendo algum crime, porque são inúmeras leis e inúmeros regulamentos que sujeitam o indivíduo a trafegar dentro desse engarrafamento de leis e regulamentos sem poder avançar, sem poder ir adiante, então essas medidas confiscatórias, essas regras arbitrárias, esse cipoal regulatório, esses trâmites burocráticos quase intransponíveis para conceder uma licença ambiental, todo esse tipo de coisa impacta na nossa economia regional de forma bastante contundente, a gente vem ao longo do tempo aprendendo a se virar diante disso, diante dessas dificuldades, mas ainda assim com muito risco né, muito risco mesmo, a insegurança jurídica com relação às propriedades é muito grande, ameaça de transformação em reserva indígena, enfim, uma série de coisas pesa a sobre a nossa região.

Agora, recentemente, houve uma decisão judicial que interrompeu a exploração de madeira, exploração mineral, e novamente o que é afirmado é que é em razão do problema da covid-19, mas o que me parece que existe um ativismo por trás disso que se aproveita de qualquer  desculpa para impor esse tipo de medida, é medida que não olha para consequência, ou seja,  ela não está nem aí para os resultados, o problema de quem toma essa medida talvez é nunca ter saído lá dos seus gabinetes e observado como é que a vida realmente funciona na prática né, o que é que as pessoas tem que fazer para ganhar o pão de cada dia, então nós temos realmente um problema nossa economia regional que é causado por todas essas medidas anteriores que eu mencionei de décadas e que agora são muito difíceis de ser solucionadas, nós não sabemos qual será o resultado disso, mas o fato é que mesmo assim, mesmo diante de tantas limitações, ainda os produtores da região eles dão um jeito de gerar riqueza, dão um jeito de contribuir para a economia, para o agronegócio, enfim, a gente aqui faz o que pode, é o que nos resta, o que é que o governo poderia fazer nesse sentido é tentar tirar alguns dos embaraços que nos impedem de ter o uso legítimo da nossa propriedade sem prejudicar, obviamente, a propriedade de terceiros, sem causar danos ambientais a terceiros, há uma série de normas que deveriam ser simplificadas para que as coisas pudessem andar com mais celeridade naquilo que realmente interessa, mas a gente vê que existe uma dificuldade muito grande, quando executivo toma uma medida, o legislativo toma outra, o judiciário interfere, nos temos aí uma espécie de cabo de guerra entre eles, entre executivo, legislativo e judiciário, só que é nós estamos no meio disso e a gente acaba sofrendo sendo puxado para lá e para cá sem saber que rumo tomar, mas como a gente já vem há muito tempo lutando com isso nós vamos continuar, vamos continuar lutando e não existe outro caminho, a gente pode é fazer pressão sobre as pessoas que nós elegemos, a gente pode pensar melhor na hora de eleger outras pessoas para ver quais são de fato as suas ideias, quem elas realmente servem né ou a quem elas serviram uma vez que esteja no poder, para que a gente tente minimizar um pouco essa tragédia que nos afeta, mas infelizmente parece não haver muita esperança, porque toda tentativa que nós temos de melhorar as coisas, de simplificar as coisas, de desburocratizar as coisas, elas sofrem ataques tremendo de todos os lados, infelizmente nós não sabemos o que é que isso vai dar.

 

Flavio fala sobre a reação dos políticos brasileiros frente à pandemia.

Sobre a reação dos políticos brasileiros, sobre a reação a pandemia aqui no Brasil, o que eu noto é que houve de certa forma, em alguns lugares, uma precipitação, lugares que não tinham nenhum caso, nenhuma evidência de caso na região inclusive, resolveram simplesmente por um período fechar tudo, de certa forma há uma certa racionalidade nisso porque diante de um mal desconhecido muitas vezes vem o pânico e se for para entrar em pânico é melhor entrar em pânico cedo, então houve muita coisa sendo feita sem um embasamento em dados e informações, foram decisões tomadas às escuras e que depois se revelaram desnecessárias,  outras decisões foram tomadas de forma muito mais drásticas do que deveriam ter sidas, que causaram grandes prejuízos, na cabeça do político, do gestor público, a economia é como se fosse uma máquina, então eles não viram problema, e alguns não vêem ainda, em desligar essa máquina por algum tempo, a gente desliga agora, deixa ela um pouco desligada e daqui a pouco quando o perigo passar a gente liga de novo, na cabeça deles a coisa funciona assim, é muito simples, mas na verdade eles não fazem ideia de como funciona a economia, eles acham que é um arranjo que eles podem controlar, mas na verdade não é, a economia é ação humana, existem milhões de pessoas realizando as suas próprias ações e a soma disso tudo é isso que a gente entende aí por economia, por mercado, agora, não tem ninguém que é capaz de controlar isso, não é como um carro que alguém pode dirigir, desligar, deixar desligado um tempo, depois religar e continuar a viagem, não é assim, não se sabe ou não é possível afirmar neste momento quais serão as consequências, além daquelas que a gente já está vendo, o que a gente está vendo hoje são algumas consequências, consequências imediatas, fechamento de algumas empresas, muitas aliás, endividamento da maioria das outras porque muitos que estão com as portas abertas estão no cheque especial, estão no crédito rotativo, estão tentando conseguir um crédito de prazo um pouco maior para conseguir manter as portas abertas, muitos empregos já foram perdidos, muitos ainda serão e isso tudo é resultado muitas vezes desse choque drástico que foi dado de forma impensada, agora, não é apenas por isso que a economia está sofrendo, a economia sofre também em função da própria pandemia em si, mesmo que os políticos não tivessem proibido nenhuma atividade empresarial, ainda assim estaria havendo uma retratação, as pessoas estariam com medo, com medo de sair, com medo de se expor, isso iria de certa forma impactar um pouco a atividade econômica, mas não tanto quanto um Lockdown, que é a proibição absoluta do funcionamento de praticamente toda e qualquer negócio, exceto aquele que o político de plantão acha que é essencial.

Então nos vemos que a reação, que é uma reação muitas vezes bem intencionada, não é uma reação calcada em evidências sólidas de que poderiam dizer assim "não, é o único jeito, não há outra coisa a fazer, se não há outra coisa fazer o único caminho é fazer isso", não foi isso que aconteceu, a verdade é que muitas decisões foram tomadas simplesmente porque para o gestor público naquele momento aquela decisão era muito mais conveniente porque ele não se expunha ao risco de tomar uma decisão diferente e que amanhã se mostrasse equivocada, "Ah, eu vou deixar tudo ficar funcionando aí, vamos ver o que vai acontecer", tudo aquilo de ruim que fosse acontecer depois seria creditado a ele, agora, se ele diz o seguinte "Não, vou parar tudo, se a coisa não se mostrará tão grave assim no futuro eu posso simplesmente afirmar que eu fui precavido né, tá tudo bem", ou seja, ganha de qualquer jeito. Então a verdade é que muitas dessas decisões ou a maioria delas foram tomadas sem qualquer embasamento sólido, embasamento em evidências, foram decisões tomadas em razão daquilo que era mais conveniente para o mandatário e isso aconteceu praticamente no Brasil inteiro, com algumas exceções né, nós tivemos cidades em que não houve nenhuma paralisação, continuarão funcionando tudo mais ou menos normalmente porque nesse momento não há possibilidade de funcionar tudo na sua normalidade, foram observando o cenário, tomando as medidas precaucionárias que podiam tomar, como aqueles protocolos de distanciamento, de higiene, de cuidados, e assim por diante, e deixaram a sua cidade funcionar relativamente em paz, até porque a realidade entre os municípios é muito diferente, nós temos grandes municípios, médios municípios e pequenos municípios, onde a densidade populacional varia o extremo, não dá para comparar por exemplo uma grande metrópole com uma pequena cidade do interior, a gente vê que esses locais onde há mais densidade populacional são os mais atingidos, mesmo nesses locais há abordagens diferentes, alguns prefeitos tomaram certas medidas mais drásticas e outros não, a realidade está demonstrando que não foi o fato de tomar medidas absolutamente drásticas que melhorou a situação daqueles que tomaram, ou seja, no frigir dos ovos o que a gente precisava ou precisa buscar é encontrar um equilíbrio diante disso para permitir que as atividades possam ser desenvolvidas na normalidade possível sem impactar sobremaneira as atividades das pessoas, mas ao mesmo tempo inibir aquelas atividades que são esses super espalhadores, que tem essa essa possibilidade de causar uma contaminação muito grande, não é fácil e estar na pele de um prefeito, de um governador bem-intencionado, nesse momento não é certamente confortável, eles devem estar bastante apreensivos com as decisões que vem tomando, realmente não é uma coisa simples, agora, o fato é, problema está aí e a gente precisa conviver com ele e trancados dentro de casa é que nós vamos conseguir superá-lo.

 

Sobre as manifestações que estão acontecendo no Brasil nesse período.

Na minha opinião as manifestações devem ser livres, qualquer tipo de manifestação desde que seja pacífica e que não cerceie a liberdade das outras pessoas que não querem participar delas, sempre foi bastante comum no Brasil haver um tipo de manifestação daquelas que trancam estradas, ninguém passa, trancam ruas, eu não concordo com isso, eu acredito que as manifestações elas devem ser feitas de uma forma mais inteligente. Contra quem ela se dirige? Isso deve ser pensado, se alguém tiver que ser incomodado, digamos assim, tem que ser as pessoas que são capazes de solucionar o problema e não as outras né.

Nós vimos manifestações recentes no Brasil, assim como estamos vendo manifestações fora do Brasil, o que é bastante comum nessas manifestações é que elas descambem para desordem, nos vimos Estados Unidos, por exemplo, lojas sendo queimadas, casas sendo queimadas, inclusive eu assistir o depoimento emocionado de um diretor de polícia contando que os manifestantes estavam impedindo os bombeiros de apagar o incêndio numa casa onde havia crianças dentro, então assim, esse tipo de manifestação que depreda, que picha, que promove quebradeira, não concordo de maneira alguma e acho que não deveriam existir, manifestações pacíficas que estejam expondo ideias, lutando por coisas que aquelas pessoas acreditam, sem agredir a terceiros, eu acho que são plenamente aceitáveis, nós devemos conviver com isso, inclusive quando elas tratam de assuntos que não nos agradam, ou seja, as vezes a gente aplaude uma manifestação porque ela fala de coisas que nos agradam e a gente quer proibir outra porque ela fala de coisas que não nos agradam, mas desde que essas manifestações estejam sendo feitas de forma pacífica, que apenas ideias estejam sendo expostas, mesmo que sejam ideias com as quais nós não concordamos, o nosso dever é aceitar, mas a partir do momento em que através de uma manifestação dessa há um dano ao patrimônio de alguém, a propriedade de alguém, está errado, se há um dano à liberdade de ir e vir alguém isso também tá errado.

Recentemente as manifestações estavam praticamente extintas, nós não poderíamos ter aglomerações, então elas desapareceram, mas parece que nos últimos dias houve uma mudança bastante drástica nisso e é interessante como a cobertura da imprensa se comporta nesse sentido, a gente vê, por exemplo, que determinadas manifestações conforme a sua ideologia, mesmo que elas tragam bastante aglomeração de pessoas, o que causam risco de contágio muito grande, elas são tratadas pela imprensa de um jeito assim condescendente né, "não, essa manifestação é do bem né, é uma manifestação a favor daquelas coisas que eu acredito, daquelas coisas que eu defendo, então tudo bem", como se nesse tipo de manifestação não houvesse o contágio, agora, as manifestações que são organizadas por quem não defende essas mesmas ideias, Ah meu amigo, essas elas são altamente contagiosas, então eu pessoalmente nesses dias eu evito qualquer tipo de aglomeração, não fui nenhum tipo de manifestação, mas eu respeito aquelas pessoas que vão, como eu disse anteriormente, desde que também sejam respeitados os direitos das outras pessoas, é isso que é importante, é a gente saber conviver com as opiniões contrárias, é não querer chamar a polícia para resolver a opinião de alguém que divergem da nossa, não, se estiver sendo manifestada pacificamente, por mais absurda que a gente considere que ela seja, por mais errada que a gente considera, a gente tem que dar aquela pessoa o direito de se manifestar, isso é um direito humano universal, isso sim, porque é um direito derivado do direito à liberdade, a gente não pode esquecer disso, "ah mas eles estão pedindo coisas que são autoritárias, que são anti democráticas", não interessa, se eles tiverem tomando alguma medida concreta, realizando alguma coisa que se configura em crime, se estiver lá tipificado no nosso código penal que aquilo que eles estão fazendo se constituem crime, eles poderão responder criminalmente, agora se o que eles estão fazendo é expor uma ideia com a qual nós não concordamos, isso é basicamente o exercício da sua liberdade de expressão, a liberdade de expressão às vezes ela não é bonita, mas ela é necessária, se nós tentarmos abafar as pessoas e impedi-las de dizer aquilo que estão pensando, aquilo que elas querem dizer, nós vamos simplesmente colocar uma tampa numa panela de pressão e isso vai explodir causando muito mais dano.

Então nós temos que deixar as pessoas se manifestarem, seja na praça pública, seja nas redes sociais, onde quer que elas queiram se manifestar, elas devem poder ter a liberdade de se manifestar, desde que autorizadas pelo proprietário daquele lugar, ou seja, se você tiver dentro de um lugar, desejar se manifestar, é o dono daquilo que vai dizer se você pode ou não se manifestar, isso está relacionado ao direito de propriedade, se quiser fazer isso no espaço público, desde que não interfira na liberdade alheia, também é livre para fazer isso. Eu vejo que há muita hipocrisia em torno do que a gente vê que se transformaram algumas opiniões com relação as manifestações contraditórias as suas crenças, falou aquilo que eu acredito, com o que eu concordo, eu bato palma e exijo que aquilo seja inclusive financiado com dinheiro dos impostos, mas se falou algo que eu não gosto, aí não, aí eu não aceito, não admito, não quero nem saber, quero que seja proibido e quero que a polícia vai lá e acaba com isso, então qual é a maneira de a gente vê se uma manifestação está de acordo com esses princípios ou não, é fácil, é ver qual é o resultado que fica no lugar depois que ela passar, se tudo permanece em ordem, se nenhum bem público ou privado foi depredado, se as coisas estão como estavam antes, Ok, foi uma boa manifestação, se ninguém se feriu, se ninguém foi agredido, foi uma manifestação excelente, agora, se houve confronto, seja com a polícia, ou seja entre grupos, houve depredação de patrimônio público ou privado, aí certamente não há como se admitir que tenha sido uma manifestação útil, proveitosa, e que nós devemos apoiar, então basicamente é dar a liberdade para que todos se manifestem de maneira a expressar as suas ideias com liberdade, sem interferir na liberdade alheia, sem interferir na vida alheia e sem interferir na propriedade alheia.

 

O empresário comenta sobre os atuais problemas na nossa política.

Talvez o maior problema que a gente enfrente hoje, no que diz respeito à política, seja o excesso de centralização, nós temos a centralização do poder em Brasília, e de Brasília isso é o pulverizado para estados e municípios de forma bastante centralizada, repetindo, as decisões são tomadas no topo e devem percorrer o caminho até a base, mas diante de situações como essa que nós vivemos agora na pandemia, a gente vê que esse arranjo não é o melhor, primeiro porque ele afasta o indivíduo da decisão, as pessoas envolvidas nas decisões são apenas as pessoas que detém o poder, então a decisão fica muito longe de nós. Em segundo lugar, que os que tomam a decisão, eles tomam a decisão que deve servir para todo mundo, é tamanho único, a decisão é tomada lá em Brasília e se espalha aí pelo Brasil inteiro.

A gente sabe que cada região tem as suas características próprias, tem uma dinâmica própria, isso em termos econômicos, sociais, culturais, de forma bem abrangente, então nós temos uma diversidade muito grande que acaba sendo abafada quando uma decisão é tomada em Brasília e deve-se aplicar para o Brasil inteiro, ela não leva em conta os aspectos de cada uma das localidades, então o que seria mais interessante, descentralizar, fazer com que a maior parte das decisões, em vez de estar em Brasília, esteja aqui no município, perto da gente, perto do nosso controle, do nosso poder de fiscalização, que aí certamente as coisas funcionariam melhor, quando nós pensamos nisso, nessa questão da descentralização, de trazer as coisas para mais perto de nós, isso equivale a dizer também que a nossa responsabilidade aumentaria, nós deveríamos tomar conta de coisas que hoje nós esperamos que o governo federal tome conta, que o governo estadual tome conta, então são coisas que nós deveríamos resolver aqui em nível local, o Ministro da Economia Paulo Guedes fala bastante sobre isso, de tirar parte desse poder de Brasília e devolve-lo para o Brasil, mas por todas as dificuldades que nós vemos aí no cenário político nacional não parece que isso vai acontecer, então o que é que nos resta, nos resta tomar medidas locais que tenham um impacto na sociedade, um exemplo bastante interessante que a gente pode utilizar é da nossa Cooperativa de Crédito Sicredi, que nós fundamos aqui na década de 90, já está com quase 30 anos, que nasceu muito pequena, quem vivia na época deve se lembrar, a maioria das pessoas achavam que não daria certo em razão de problemas que tinham acontecido anteriormente com cooperativas aqui, mas enfim, o fato é que ao longo do tempo a coisa se comprovou viável, se fortaleceu e hoje a Sicredi univales é um dos grandes sustentáculos da economia local e regional, então nós observamos que foi algo criado aqui, criado por nós, associados com outras pessoas de outras localidades com interesses que se alinham e que foi crescendo de forma orgânica ao longo do tempo e que agora nesse momento de dificuldade se mostrou mais importante do que nunca , então nós vemos por aí que as instituições financeiras tradicionais jamais tem a capacidade de dar uma resposta tão rápida e tão efetiva, então de acordo com as necessidades locais, que a nossa Cooperativa de Crédito tem aqui, e isso deve ser valorizado, então o Sicredi ele privilegia a economia local, financia a economia local, distribui resultados na economia local, contribui de forma humanitária para ajudar a solucionar determinados problemas locais e a gente deve de nossa vez né, por nossa parte, tentar observar a importância disso tudo no todo da nossa economia e também fazer aquilo que nos cabe né, que é participar cada vez mais desse tipo de entidade que nos dá esse retorno local.

Outro exemplo é a ASCOM/CDL, durante esse período da pandemia parece que o comércio tem mais percepção da importância desse tipo de entidade que luta pelos seus direitos, então o trabalho feito pelo pessoal da diretoria da ASCOM, pelos colaboradores, foi um trabalho bastante intenso na tentativa de conseguir convencer o poder público de que as empresas tinham condição de se organizar de forma a trabalhar com segurança e não interromper as suas atividades, porque a gente sabe bem do colapso que acontece quando essas atividades são interrompidas, muitas vezes a gente acha que a economia pode ser desligada aqui e religada ali sem maiores consequencias, como a gente estaciona um carro hoje, anda um pouco a pé e amanhã liga de novo, mas na verdade não é assim, quando as coisas sofrem esta freada brusca, para elas retomarem depois a velocidade vai bastante tempo, então essas entidades locais exerceram e estão exercendo um papel muito importante nesse sentido porque privilegiam os negócios locais, privilegiam os produtores locais, os trabalhadores locais, de forma que a riqueza que a gente gera localmente possa circular localmente e atender às nossas necessidades.

 

Flavio Hermes relata como sua empresa está passando por este momento de pandemia.

Com relação as nossas empresas, tendo em vista que a gente atende outras empresas, nós prestamos serviços para outros negócios, é evidente que houve um impacto né, pelo menos até o momento nós não tivemos de demitir ninguém, estamos com a mesma quantidade de colaboradores que tínhamos no início da pandemia, fizemos uma divisão transferindo algumas pessoas para trabalhar em casa, estão trabalhando remotamente, mantivemos dentro da empresa uma quantidade de colaboradores que possibilita ter um distanciamento relativamente bom, o suficiente, mais do que o aquilo que é preconizado pelas boas práticas aí na prevenção do coronavírus, enfim, continuamos trabalhando. A gente sabe que as coisas ainda não voltaram ao normal, nem para nós e nem para a maioria dos nossos clientes, que estamos todos atravessando um momento de dificuldade, que esse momento de dificuldade será para alguns, infelizmente, significará sair do mercado, e isso já tem acontecido, para muitos será a perda do emprego infelizmente, e estamos tentando aqui fazer o melhor, fazer com que a gente mantenha o negócio de pé, que a gente não tenha a necessidade de fazer demissões, que a gente aproveite esse período para melhorar, para melhorar processos nossos, para melhorar a nossa qualidade de produto, qualidade atendimento e assim por diante, de forma a levar mais benefícios para os nossos clientes, mas enfim, estamos aqui, estamos junto com os nossos clientes, colaborando, auxiliando naquilo que está dentro das nossas possibilidades e com a esperança de que nós vamos conseguir juntos atravessar esse momento difícil, superar esta diversidade, mais esta, sair depois dela fortalecidos, prontos para continuar a nossa batalha, ajudar no crescimento da nossa da nossa comunidade, das empresas locais, dos negócios locais, melhorar a vida das pessoas que estão aqui, que convivem conosco, que fazem parte das nossas vidas, pessoas com as quais nos identificamos, pessoas que nós admiramos, que nós gostamos, gente da gente né, gente de casa.

Estamos à disposição de todos, tanto na Plenustech quanto na Deltatech, toda essa área de software, de gestão empresarial, de automação comercial, enfim, a área de tecnologia, o nosso espaço lá se chama Tech Box Justamente por isso, porque a intenção é ser uma parada onde você consiga resolver os problemas relacionados a área de tecnologia que tem para sua empresa, para sua casa, seja lá o que for, de forma que estamos lá, continuamos lá, buscando inovação, buscando a melhoria para que a gente possa atender cada vez melhor a essa nossa comunidade, a essas empresas que nos honram com a sua preferência, estamos aí para servir, é isso que o empreendedor faz, antes que o empreendedor consiga consigo obter qualquer coisa para si, ele tem que servir o outro, é assim que a gente sobrevive, é assim que os empreendedores prosperam, é assim que os empreendimentos geram resultado, muita gente vê o empreendedor, vê o empreendimento e foca apenas os resultados, não imagina que para chegar a qualquer resultado antes foi necessário se criar valor para alguém, para alguém que percebeu que algo valioso, algo importante estava sendo ofertado e que resolveu pagar por aquilo, então nenhum empreendedor consegue nada, conquista nada, antes que ele consiga gerar valor para os outros ou, em outras palavras, antes que ele consiga servir aos outros, então que nós possamos juntos continuar nessa caminhada, nos fortalecer mutuamente e certamente iremos vencer mais este desafio, iremos prosperar, iremos fazer com que as nossas comunidades se tornem cada dia melhores.

Muito obrigado a todos pela oportunidade, obrigado a Rádio Metropolitana, a Metrô FM, obrigado ao Claudecir, obrigado a toda a equipe técnica, estou à disposição sempre que precisarem podem contar comigo e quem quiser conversar sobre quaisquer desses assuntos que foram tratados aqui, nessas respostas que eu formulei, qualquer coisa relacionada ao que se passa no nosso município, nas nossas empresas, nas nossas associações, na nossa comunidade, contem comigo, estou à disposição e estarei sempre, um grande abraço a todos fique com Deus e até a próxima oportunidade, muito obrigado.