Segundo o analista da consultoria Safras e Mercado Luiz Fernando Gutierrez, esses estoques grandes não são uma novidade para a China. “Há uma prioridade para segurança alimentar, por isso eles sempre mantém esse estoque em alta.”
O analista ressalta que os asiáticos já compraram muita soja brasileira este ano e não o país já não tem, praticamente, mais nada o que exportar, tendo que esperar até janeiro e fevereiro, com a colheita, para retomar as vendas.
“Com relação aos Estados Unidos, temos uma situação contrária. A safra deles está entrando agora. É verdade que nos últimos dias não tivemos novos anúncios de venda de soja norte-americana para a China. O mercado, de certa forma, estava mal acostumado”, afirma Gutierrez.
Ainda há a expectativa que essa paralisação momentânea das compras de soja dos EUA, seja causada por uma antecipação do mercado a um feriado na China.
“Pode ser que esse movimento de paralisação seja uma antecipação desse feriado, que é de uma semana. As compras da soja norte-americana devem continuar a partir da segunda semana de outubro, talvez em volume menor porque muita soja já foi vendida, mas não vejo a China parando de comprar esse produto, justamente por causa da segurança alimentar”, diz.
Vendas do Brasil
Segundo o analista, os brasileiros não devem se preocupar com nada disso, afinal os preços atuais estão favorecendo as comercializações antecipadas de soja.
“Temos mais da metade de a safra 2020/2021 negociada, isso mostra que o produtor aproveitou bem as oportunidades. Mas em janeiro e fevereiro a demanda deve continuar sim, pois somos os principais fornecedores da China e eles vão continuar dependendo da soja brasileira”, afirma Gutierrez. “O produtor brasileiro não precisa ficar preocupado com isso.”