Integrantes do Itamaraty afirmam que o governo de Donald Trump apresentou, durante as negociações sobre as tarifas comerciais impostas ao Brasil em 2025, uma proposta que exigia que o país permitisse a candidatura de pessoas descritas como “dissidentes políticos” nas eleições de 2026.
Segundo os relatos, o pedido constava em uma versão preliminar de um documento americano apresentado durante as tratativas sobre o chamado tarifaço. O governo brasileiro, porém, descartou a exigência.
A informação foi revelada pela imprensa brasileira e confirmada por relatos de integrantes da diplomacia.
A minuta americana reunia 21 exigências, muitas delas sem relação direta com o comércio. Entre os pedidos estavam compromissos relacionados à liberdade de expressão, ao ambiente digital e à participação de pessoas chamadas de “dissidentes políticos” nas eleições brasileiras.
O texto sugeria que o Brasil se comprometesse a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e a não restringir arbitrariamente a participação política dessas pessoas. Embora não citasse nomes, a proposta surgiu em meio às manifestações de Donald Trump em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, naquele período, enfrentava julgamento no Supremo Tribunal Federal.
De acordo com informações atribuídas a integrantes do Ministério das Relações Exteriores, o documento foi encaminhado à equipe brasileira durante as negociações comerciais, em outubro de 2025.
O chanceler Mauro Vieira teria determinado a devolução do material, sob o argumento de que os termos eram inaceitáveis. A diplomacia brasileira também contestou a utilização da expressão “dissidentes políticos” para se referir a pessoas envolvidas no cenário político nacional.
Segundo os relatos, o conteúdo não chegou a ser formalmente discutido na reunião entre Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Em reportagem publicada nesta quinta-feira (17), o jornalista João Paulo Charleaux, do UOL, relatou que uma fonte do Itamaraty classificou a minuta como um possível “balão de ensaio”, ou seja, uma iniciativa para avaliar a reação brasileira.
Conforme essa apuração, o governo brasileiro ignorou a proposta e não aceitou negociar sob aqueles termos. A avaliação relatada pelo jornalista é de que o documento não chegou a se tornar uma exigência formal nas conversas entre os dois países.
A proposta surgiu durante a crise provocada pelo tarifaço anunciado por Trump em 2025, quando os Estados Unidos elevaram tarifas sobre produtos brasileiros e relacionaram publicamente a medida ao julgamento de Jair Bolsonaro.
Na ocasião, Trump descreveu o processo contra o ex-presidente como uma “caça às bruxas”. O governo brasileiro, por sua vez, sustentou que questões judiciais e eleitorais do país não deveriam ser condicionadas a negociações comerciais com Washington.
O episódio volta a colocar em debate os limites da atuação diplomática dos Estados Unidos em assuntos internos brasileiros, especialmente diante das eleições presidenciais de 2026.
Redação Metrô FM Juína
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