O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma crítica direta ao Brasil em um documento enviado ao Congresso americano nesta terça-feira (15). O texto avalia a situação internacional do combate à produção e ao tráfico de drogas.
Segundo Trump, o governo brasileiro “falhou em confrontar” o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O documento afirma ainda que as duas organizações criminosas transformaram o Brasil em um centro para o fluxo internacional de cocaína.
A Casa Branca também classificou as duas facções, dentro da política norte-americana, como organizações terroristas e afirmou que elas representam uma ameaça crescente à segurança internacional. Trump defendeu que o governo brasileiro adote medidas mais firmes e agressivas para combater os grupos e impedir sua expansão.
Apesar das críticas, há uma diferença importante: o Brasil não foi incluído na lista formal dos Estados Unidos de países considerados grandes produtores ou importantes rotas de trânsito de drogas.
Também não foi incluído entre os quatro governos apontados pelo documento como aqueles que, na avaliação americana, não fizeram esforços suficientes para cumprir seus compromissos internacionais de combate às drogas. Nessa categoria aparecem Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia.
A própria determinação americana ressalta que a inclusão de um país na lista de produtores ou rotas de drogas não representa necessariamente uma avaliação negativa sobre o governo daquele país, já que critérios geográficos, comerciais e econômicos também são considerados.
A menção direta ao Brasil representa uma mudança em relação ao documento divulgado no ano passado, quando o país não havia sido citado dessa forma.
A nova manifestação ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Brasília e à pressão dos Estados Unidos sobre o PCC e o Comando Vermelho.
Em maio deste ano, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou a classificação das duas facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras. A medida entrou em vigor em junho e passou a impor restrições financeiras e outras consequências previstas na legislação americana.
O governo brasileiro já havia criticado essa classificação, argumentando que o combate às organizações criminosas deve ocorrer com cooperação internacional, mas sem interferência na soberania do país.
A determinação faz parte de um procedimento anual da Presidência dos Estados Unidos. O governo americano identifica países considerados relevantes para a produção ou o trânsito de drogas ilícitas e apresenta uma avaliação sobre os esforços internacionais de combate ao narcotráfico.
No caso do Brasil, o destaque desta edição está na crítica específica à atuação contra o PCC e o Comando Vermelho, e não em uma inclusão do país nas categorias formais previstas no documento.
O episódio acrescenta mais um capítulo à relação entre Brasil e Estados Unidos, que vem sendo marcada por divergências diplomáticas e discussões sobre segurança, comércio e combate ao crime organizado.
Redação Metrô FM Juína
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