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NOTÍCIA

TRÊS NOVAS BOLSAS TENTAM GANHAR ESPAÇO NO BRASIL, MAS DESAFIO É CRIAR LIQUIDEZ

Data: Terça-feira, 15/09/2026 16:53
Por: Metrô FM Juína

O mercado de capitais brasileiro pode passar por uma mudança importante nos próximos anos. Atualmente, três projetos trabalham para criar novas estruturas de negociação e disputar espaço com a B3: A5X, Base Exchange e CSD BR.

Mais do que investir em tecnologia e oferecer preços competitivos, as empresas enfrentam um desafio central: conseguir atrair volume suficiente de negociações para criar liquidez. Isso significa convencer bancos, corretoras, gestores, investidores e formadores de mercado a operar em plataformas que ainda não possuem o mesmo volume da B3.

A5X QUER COMEÇAR PELOS DERIVATIVOS

A A5X pretende entrar inicialmente no mercado de derivativos. A estratégia é começar por um segmento no qual a empresa acredita ser possível alcançar escala mais rapidamente.

A companhia já levantou R$ 730 milhões em quatro rodadas de investimento. A mais recente foi de R$ 360 milhões, liderada por Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek.

Depois de inicialmente planejar iniciar as operações em 2026, a A5X passou a projetar sua entrada para 2027. A empresa prevê concluir a preparação regulatória e realizar testes com o Banco Central antes do início das operações.

BASE EXCHANGE APOSTA EM AÇÕES E ETFs

A Base Exchange pretende atuar no mercado à vista, com negociação de ações, ETFs e fundos imobiliários.

O projeto está ligado ao grupo Mubadala e surgiu a partir da antiga ATS Brasil. A previsão atual é começar a operar no segundo semestre de 2027, dependendo das autorizações regulatórias.

A empresa afirma já possuir uma rede de instituições conectadas à infraestrutura da Flowa, incluindo corretoras e gestores. A expectativa é utilizar essa estrutura para facilitar a formação de liquidez quando a nova plataforma entrar em funcionamento.

CSD BR QUER AMPLIAR SUA ATUAÇÃO

A terceira iniciativa é da CSD BR, que já atua como infraestrutura de registro, depósito e liquidação de ativos financeiros.

A empresa pretende avançar também para o ambiente de negociação. Em 2026, a CSD BR anunciou planos para ampliar sua atuação e vem aumentando sua presença no mercado de derivativos. Em abril, a companhia informou ter alcançado R$ 100 bilhões em ativos financeiros liquidados no ano, com média de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por dia.

A CSD BR também recebeu um aporte de R$ 100 milhões, liderado por Citi, Morgan Stanley e UBS, e firmou parceria com a empresa americana MEMX para desenvolver tecnologia relacionada à negociação.

O GRANDE OBSTÁCULO

Apesar dos investimentos e da tecnologia, criar uma nova bolsa não significa automaticamente conseguir investidores e grandes volumes de negociação.

O mercado brasileiro possui forte concentração de operações em poucas empresas e ativos. Segundo dados citados pelo NeoFeed, as pessoas físicas tinham R$ 9,1 trilhões em investimentos no primeiro semestre de 2026, mas apenas R$ 816,9 bilhões estavam aplicados em ações, menos de 10% do total.

Por isso, as novas plataformas precisarão conquistar participantes e oferecer condições capazes de fazer com que as operações migrem — ou sejam divididas — entre diferentes ambientes.

A regulamentação brasileira já permite a existência de múltiplos ambientes de negociação, mas a concorrência também depende da integração entre as diferentes infraestruturas do mercado. A chamada interoperabilidade é apontada como um dos pontos importantes para evitar que os novos ambientes funcionem como estruturas isoladas.

Se os projetos avançarem conforme os cronogramas atuais, 2027 poderá marcar uma nova etapa de concorrência no mercado de capitais brasileiro, com diferentes empresas disputando segmentos que hoje são amplamente concentrados na B3.

Redação Metrô FM Juína