A deficiência da descarboxilase dos aminoácidos L-aromáticos, também chamada de AADC, é uma doença genética rara que causa complicações no sistema nervoso central e periférico. As mutações que ocorrem no gene afetam a capacidade do cérebro de produzir dopamina e serotonina, dois dos principais neurotransmissores do organismo humano.
Hélio Van der Linden Júnior, neurologista infantil e neurofisiologista, explica que a deficiência de AADC costuma se manifestar nos pacientes já no primeiro ano de vida, fazendo com que muitos não possuam marcos motores básicos, como a capacidade de sustentar a cabeça. Por isso, é comum que muitas crianças recebam outros diagnósticos, como paralisia cerebral ou doença neuromuscular.
Os possíveis sintomas da deficiência de AADC são:
O médico neurologista Hélio Júnior conta que a AADC é uma enzima essencial para a formação de importantes substâncias do cérebro (neurotransmissores), como serotonina, dopamina, epinefrina e norepinefrina.
"Diante da deficiência destes neurotransmissores, um conjunto de sinais e sintomas irão aparecer. Logo, a doença é por causa genética, secundária a variantes patogênicas (mutações) do gene DDC. É uma condição autossômica recessiva, ou seja, para que a doença se instale, é necessário que ambos alelos do gene (a parte do gene que vem do pai e da mãe) contenham a alteração patogênica", explica.
Nesse sentido, quando um dos pais da criança apresenta um dos alelos com essa mutação, ele se torna apenas portador da doença, sem que se apresentem sintomas. Porém, as chances de que seus filhos sejam afetados pela condição é de 25%.
De acordo com o Grupo de Trabalho Internacional sobre Distúrbios Relacionados a Neurotransmissores, 130 pacientes já foram descritos com a deficiência de AADC no mundo, sendo a maior parte deles (cerca de 30%) de Taiwan.
Pesquisadores da faculdade de medicina do Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto explicam que, na maioria das vezes, o diagnóstico da doença pode demorar para acontecer. Além da deficiência de AADC ser rara e pouco conhecida, alguns dos sintomas iniciais são comuns em outras doenças neurológicas, como a hipotonia e o atraso neuropsicomotor.
Entretanto, os estudiosos ressaltam que alguns dos sintomas, como as crises oculogíricas, o distúrbio de movimento (como a distonia) e a ptose palpebral, são mais específicos para o diagnóstico de deficiência de AADC, especialmente quando combinados, pedindo por uma análise médica mais detalhada.
Exames solicitados
O neurologista Hélio Júnior explica que, após uma suspeita clínica, em locais onde há disponibilidade de análise de neurotransmissores no líquido cefalorraquidiano (o líquido que circula pelo cérebro e medula espinhal), é possível identificar as alterações típicas da doença.
"No entanto, no Brasil, não temos laboratórios que façam esse estudo de neurotransmissores. Assim, outros exames podem ajudar, como a dosagem da substância 3-OMD, que encontra-se elevada na deficiência de AADC. Quando elevado, parte-se para o estudo genético, ou seja, a análise do gene, para verificar a presença das variantes patogênicas", conta.
Outra possibilidade em casos de suspeita clínica é solicitar diretamente o estudo genético, através da análise do gene DDC ou de painéis de genes disponíveis em laboratórios de genética molecular.
Os tratamentos disponíveis atualmente visam, principalmente, amenizar os sintomas e as complicações geradas pela falta dos neurotransmissores. Assim, alguns dos principais métodos utilizados são:
"Melatonina também pode ser uma boa opção para tratar os distúrbios do sono nestes pacientes. No entanto, muitas pessoas não respondem bem ao tratamento sintomático e seguem o curso da doença", explica o médico Hélio Júnior.
Deficiência de AADC tem cura?
Por se tratar de uma deficiência rara, ainda há uma série de estudos envolvendo a deficiência de AADC, a fim de buscar o tratamento ideal para essa condição. Diversos países lideram pesquisas no campo da terapia gênica, buscando possíveis formas de reparar o defeito genético causado pela condição.
"Vale ressaltar que, até o momento, nenhuma agência reguladora autorizou a comercialização desta técnica. Ou seja, é importante que as famílias fiquem conscientes que, embora promissor, trata-se ainda de um tratamento em estudo, que está sendo testado para confirmar benefícios e assegurar que não haja efeitos colaterais importantes", finaliza Hélio Júnior.
De acordo com dados computados por pesquisadores da faculdade de medicina do Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, a taxa de mortalidade associada à deficiência de AADC é de 10%.
A resposta dos pacientes ao tratamento é extremamente variável, fazendo com que os cientistas observassem que, quando a resposta às terapias medicamentosas é insatisfatória, o quadro de complicações neurológicas pode evoluir.
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