A Inteligência Artificial (IA) vem ganhando cada vez mais espaço no universo jurídico, trazendo mais agilidade, produtividade e eficiência para advogados, cartórios e órgãos do Judiciário. No entanto, especialistas alertam que a tecnologia deve ser utilizada como ferramenta de apoio, sem substituir a capacidade de análise, interpretação e senso crítico dos profissionais do Direito.
O tema foi debatido por acadêmicos do 7º termo do curso de Direito da Faculdade AJES, que desenvolveram um estudo sobre os impactos da dependência tecnológica na atuação dos operadores do Direito. A pesquisa reuniu entrevistas com profissionais da área jurídica e servidores de cartório para avaliar os benefícios e os desafios trazidos pela IA no setor.
Entre os entrevistados está o procurador do município de Juína e advogado Cristiano Zandoná, que destacou que a inteligência artificial pode auxiliar em pesquisas, organização de informações e elaboração de documentos, mas a responsabilidade final continua sendo do profissional. Segundo ele, a conferência das informações e a análise da confiabilidade das fontes não podem ser delegadas à tecnologia.
Zandoná também defendeu a criação de sistemas alimentados exclusivamente por bancos de dados oficiais dos tribunais e órgãos públicos, reduzindo riscos de informações incorretas ou jurisprudências inexistentes geradas por ferramentas automatizadas. Para o procurador, a IA pode colaborar em tarefas operacionais do Judiciário, mas decisões judiciais devem permanecer sob responsabilidade humana.
O advogado e professor Eder Medeiros afirmou que, apesar das preocupações com possíveis impactos no mercado de trabalho, a tecnologia já proporciona ganhos significativos de produtividade. Segundo ele, o uso da IA permitiu aumentar sua produção profissional em cerca de 40%, contribuindo para análises mais rápidas e detalhadas de processos.
A transformação também alcança os cartórios. O auxiliar de justiça do Cartório do 1º Ofício de Juína, Jabson Souza Silva, explicou que a emissão de certidões imobiliárias já ocorre de forma automatizada em diversas regiões do país. Em Juína, o sistema funciona de maneira semiautomática, reduzindo significativamente o tempo de atendimento à população.
Mesmo com os avanços tecnológicos, especialistas reforçam que atividades que exigem interpretação jurídica, análise de provas, avaliação de contextos e tomada de decisões continuarão dependendo da atuação humana. O entendimento é compartilhado por profissionais do setor jurídico em todo o país, que veem a IA como uma aliada importante para eliminar burocracias e otimizar processos, mas não como substituta do conhecimento técnico e da responsabilidade profissional.
A pesquisa realizada pelos acadêmicos da AJES conclui que o grande desafio das futuras gerações de operadores do Direito será equilibrar inovação tecnológica, ética profissional e autonomia intelectual. A tendência é que a inteligência artificial continue expandindo sua presença no setor, mas sempre sob supervisão humana e com foco no fortalecimento da atividade jurídica.
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