O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (27) que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado por suspeitas de fraude financeira, use uma aeronave da Polícia Federal para se deslocar de São Paulo até Brasília e prestar depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. A oitiva está marcada para o dia 10 de março, às 11h.
Na decisão, Mendonça reforçou que o transporte deverá ocorrer em avião da própria Polícia Federal ou em voo comercial regular, com escolta e vigilância contínua, e vedou expressamente o uso de aeronave particular para o deslocamento do investigado.
O relator no Supremo determinou ainda que a PF organize todas as condições logísticas de transporte e retorno ao local de custódia do banqueiro, que cumpre prisão domiciliar em São Paulo após ter sido detido no âmbito da investigação.
O depoimento à CAE surge em meio a uma série de debates e idas e vindas entre o Judiciário e os colegiados do Congresso sobre a participação de Vorcaro em audiências parlamentares. Inicialmente, o ministro havia decidido que o empresário não seria obrigado a depor presencialmente nem na CAE nem na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, por se tratar de investigado — situação em que o comparecimento pode ser facultativo.
Nas últimas semanas, parlamentares buscaram apoio de Mendonça para viabilizar a participação de Vorcaro em depoimentos, inclusive com pedidos para que ele viajasse em avião particular — alternativa que foi rejeitada pelo ministro.
O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), reagendou a oitiva e afirmou que Vorcaro sinalizou que pretende depor, ainda que detalhes sobre participação, formato e logística continuem sendo definidos pelas partes envolvidas.
O caso está diretamente ligado às investigações sobre supostas irregularidades do Banco Master, que incluem possível venda fraudulenta de carteiras de crédito e falta de transparência em operações financeiras de grande magnitude. As apurações seguem sob sigilo e com atuação conjunta de órgãos como a Polícia Federal e o Senado.
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