Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o Brasil possui um dos maiores potenciais do mundo para a exploração de minerais críticos, insumos essenciais para a transição energética e para tecnologias avançadas, como carros elétricos, turbinas eólicas, baterias de alta performance e equipamentos eletrônicos.
Entre os minerais estratégicos destacados estão lítio, níquel, cobalto e terras raras, todos com forte demanda internacional impulsionada pelo avanço das energias renováveis e da indústria tecnológica.
De acordo com o levantamento, o país reúne condições geológicas e reservas expressivas que poderiam colocá-lo entre os principais produtores globais. Porém, o Ipea aponta que esse potencial ainda não se traduz em protagonismo econômico, já que o Brasil permanece atrás de países como Austrália, China, Chile e África do Sul, que dominam o mercado internacional.
O estudo também revela que, embora a mineração seja relevante, a participação do setor no PIB brasileiro permaneceu relativamente baixa nas últimas décadas, variando entre 0,75% e 2%. A atuação do Brasil no comércio internacional de minerais críticos ainda é considerada tímida.
Apesar disso, pesquisadores identificam sinais de mudança. O setor vive um novo ciclo de investimentos, com aumento em pesquisas geológicas, modernização de equipamentos e expansão da infraestrutura. Esses fatores podem impulsionar o Brasil a ocupar posição mais estratégica na cadeia de suprimentos global nos próximos anos.
A demanda mundial por minerais críticos deve crescer de forma acelerada nas próximas duas décadas. Caso o país consiga transformar seu potencial em produção competitiva, poderá ampliar exportações, atrair investimentos e ganhar relevância na transição energética internacional.
Para o Ipea, a oportunidade está aberta — mas dependerá de políticas públicas, segurança regulatória e investimentos contínuos para que o Brasil deixe de ser promissor e passe a ser protagonista no setor.
