Há aproximadamente um mês, profissionais da Argentina têm monitorado a atividade intensa de gafanhotos sul-americanos (Schistocerca cancellata). A espécie, que só ocorre no sul da América do Sul, tem a região do Chaco, que engloba parte da Argentina, Paraguai e Bolívia como área de desenvolvimento antes de migrar.
As nuvens de gafanhotos, que têm preocupado os produtores brasileiros, podem ocorrer de tempos em tempos. “O último registro histórico de uma ameaça de nuvem de gafanhotos no Brasil ocorreu em 1940. Na Argentina, esse é um problema anual, existe inclusive um programa exclusivo para controle há mais de 120 anos”, conta Dori Edson Nava, pesquisador da Embrapa Clima Temperado.
De acordo com Nava, o aumento da temperatura pode ser uma das explicações para a formação das nuvens. “Geralmente, os gafanhotos têm duas gerações por ano, mas quando a temperatura está um pouco mais alta, há a possibilidade de ocorrer três gerações. Segundo os pesquisadores argentinos, quando a terceira geração ocorre, se torna o gatilho para que a população aumente exponencialmente”. Quando isso acontece, a população chega ao limite e o local onde ela está não fornece mais alimento. A espécie então se agrega, alça voos e forma as nuvens. O inseto sai para se alimentar e reproduzir.
A nuvem de gafanhotos que está localizada em Entre Rios (divisa da Argentina com o Uruguai), conhecida como região papeleira por ter plantios florestais, está estacionada porque a temperatura diminuiu. “Caso ela aumente, ficando entre 25 e 30 ºC, existe a possibilidade de os gafanhotos migrarem novamente. Há a previsão do aumento de temperatura para o final desta semana”, destaca o pesquisador da Embrapa Clima Temperado.
Felizmente, as autoridades fitossanitárias da Argentina conseguiram realizar o controle da nuvem com a diminuição de 80% a 85%. “Isso foi possível porque os insetos estão em uma região sem pessoas, animais e com condições climáticas adequadas. Esta situação nos dá um alívio, mas ficamos de sobreaviso porque ainda existe uma quantidade considerável de insetos. Dependendo da temperatura ou direção do vento, eles podem permanecer na Argentina ou migrar para o Uruguai ou Brasil” afirma Nava.
Impacto para as florestas
Os gafanhotos são insetos polífagos, ou seja, se alimentam de várias espécies vegetais. Quando em nuvens, eles voam durante o dia e pousam a noite para se alimentar, sem escolher o local, podendo ser desde um de povoamento, mata nativa, lavoura ou plantios de espécies florestais.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, o impacto de uma nuvem de gafanhotos em um plantio de eucalipto já estabelecido com cinco ou mais anos é relativo. “Os insetos vão se alimentar das folhas, deixando-as desfolhadas, mas as árvores dessa idade têm a capacidade de se regenerar. Caso o ataque seja intenso, plantios de um ou dois anos podem morrer ou ter o seu crescimento retardado”, alerta. Vale lembrar que o impacto nos plantios florestais é menor do que em espécies de plantio anual como o cereal de inverno, milho, soja que podem ser totalmente destruídos.
O mais importante neste momento, segundo Dori Edson Nava, é que exista a cooperação entre o Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia para que se tenha um controle mais efetivo do inseto na fase jovem, no local de desenvolvimento. “Estudos indicam que os gafanhotos possuem um ciclo migratório de oito a 15 anos. Esse processo se iniciou em 2015 aqui na América do Sul, então podemos conviver de três a oito anos com esse problema de formação de nuvens”, alerta.
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