Metrô FM Juína 87.9 - Tá na Metrô, Tá Bom de Mais!
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PIONEIROS

Sidney Campos e Petrona Garcia de Oliveira

A chegada em Juína foi no dia 18 de junho de 1979, mas antes de vir os dois venderam todos os móveis e vieram só com as malas de roupas e panelas

O casal se conheceu Nioaque Mato Grosso do Sul em 1976 quando Petrona ia até o banco onde Sidney trabalhava e ele se encantou com ela desde a primeira vez que a viu.

Petrona conta que como Sidney era muito sério e fechado ela achava que ele já era casado e não queria nada com ele, mas um primo dela que trabalhava junto com ele no banco contou a ela que ele era solteiro e não tinha namorada.

Sidney então passou a mandar cartas e bilhetes para ela, mas ela não respondia e ele continuou insistindo e quando estava quase desistindo já ela resolveu conversar com ele.

Como a cidade tinha um quartel militar as moças se interessavam mais pelos soldados e os rapazes como ele que trabalhavam em outros locais não eram notados.

Os dois então conversaram, mas foi necessário Sidney pedir Petrona em namoro para seu pai pois e ele aceitou e logo se casaram no dia 16 de outubro de 1976.

Em 1979 Sidney foi transferido de agencia bancaria e veio para Juína com a esposa e uma das filhas sem ter vindo antes para conhecer. A chegada foi no dia 18 de junho de 79 e antes de vir os dois venderam todos os móveis e vieram só com as malas de roupas pois sabiam que a cidade estava começando.

A agencia bancária seria a primeira de Juína pois a cidade já estava se desenvolvendo rapidamente e Sidney tinha intenção de comprar um pedaço de terra e construir a casa própria.

O casal e a filha Valquíria veio em um Corcel 1 trazendo as malas e panelas, o trajeto era por Vilhena e atolaram várias vezes, tiveram que dormir na estrada e sofreram muito e levaram cerda de 9 dias para chegar em Juína.

Quando chegaram a Juína eles passaram direto pois não conheciam nada e tinha apenas uma placa de identificação indicando a cidade. A família ficou cerca de 2 meses morando em um quarto da Codemat pois estavam sendo construídas casas para alugar.

O casal conta que foram muito bem recebidos pelas pessoas que já moravam aqui e fizeram amizade rapidamente pois todo mundo era muito solidário.

Assim que a casa que era para eles morar ficou pronta a família se mudou e permaneceu lá por 3 anos enquanto Sidney estava na agencia bancaria.

O primeiro banco funcionou durante um tempo na Avenida 9 de maio onde atualmente está a empresa Cel Fone e ao lado funcionava uma sorveteria na época.

Depois de um período funcionado em prédio alugado foi construída a agencia própria definitiva na Avenida Mato Grosso onde hoje é a agência do Sicredi.

Quando foi transferido, Sidney e a família foram para Alta Floresta or onde permaneceu pouco mais de 2 anos e depois foi para Poconé onde ficou também cerca de 2 anos. Após esse período ele decidiu sair do banco pois o trabalho era muito cansativo e o salário não compensava.

A família voltou novamente para Juína e seu Sidney estava desempregado e passou a vender papel para as gráficas e também trabalhou na prefeitura.

O primeiro prefeito Orlando Pereira o chamou para trabalhar na área de contabilidade na prefeitura, mas era tudo feito manualmente pois não havia computadores na época.

Para Petrona o período de adaptação foi mais difícil por conta do clima e das queimadas que eram muitas na época. Outra dificuldade era a falta de carne bovina pois só havia carne de caça e ela não comia.

Como tudo era muito difícil, a vizinhança compartilhava os alimentos e todos eram prestativos uns com os outros.

Uma situação inusitada que aconteceu no banco foi que um homem chegou para trocar um cheque de valor alto, mas não tinha dinheiro suficiente para pagar e por isso seu Sidney teve que passar um rádio para Cuiabá solicitando recursos para o pagamento do cheque e após duas horas o avião pousou com o dinheiro para pagar o cheque.

Sidney conta que muitos casais procuravam para dar conselhos e alguns clientes iam até sua casa para fazer algum serviço relacionado ao banco.

De família tradicional católica, o pioneiro afirma que ao longo do tempo foi pegando apreço pelo espiritismo, passou a frequentar e ministrou algumas palestras no Centro Espirita e a família o acompanhava.

Na época a comunicação era por telefone e para isso era necessário ir até Vilhena para fazer uma ligação, mas posteriormente oi criada uma agencia dos Correios no município.

Petrona conta que sentia muita falta dos familiares que estavam longe e passavam o tempo ouvindo a rádio Nacional da Amazônia.

As famílias se reuniam em uma residência e faziam jantar, tocavam violão e tomavam vinho de garrafão.

Após um tempo veio o cinema para Juína e se chamava cinema do Varejão onde as famílias se reuniam para assistir aos filmes, Valquíria recorda que assistiu ao filme Menino da Porteira.

Sidney resolveu na época do garimpo comprar diamante para revender em outras cidades e chegou inclusive a ir para outros estados mas como não tinha experiência acabou tendo prejuízo pois não entendia das classificações da pedra.

Um dos momentos de grande dificuldade foi quando ainda era gerente do banco e muitos produtores fizeram financiamentos para realizar plantio de lavoura, mas o credito que tinha na época era de pouca duração e também quando os produtores começaram a vender a produção da lavoura para o governo do estado, mas o processo para pagar era demorado por que demandava a transferência de dinheiro de um banco para outro. Por conta dessa demora, algumas pessoas passaram a achar que era Sidney era culpado por isso e que estava usando esse dinheiro e certa vez chegaram até a invadir a agencia exigindo que ele dessa conta do dinheiro.

Ele explicou ainda que teve uma longa conversa com os agricultores foi possível esclarecer os fatos.

Para Petrona o momento mais difícil foi quando ela deu à luz a uma das filhas e sofreu muito com dores e depois teve hemorragia.

Valquíria se emocionou ao contar do período que seu pai ficou desempregado e eles passaram dificuldades, mas todos se ajudaram para não faltar sustento da família.

Sidney relembra que gostava de andar na mata e apreciava muito os animais e os indígenas e isso fazia com que ele se apaixonasse cada dia mais pela cidade.

Para eles, Juína se tornou um local que gostam e apreciam onde fizeram muitos amigos e sentem se realizados.

As filhas cresceram e formaram sus famílias e continuam muito ligadas aos pais.

Atualmente Sidney e Petrona são aposentados e vivem uma vida simples, mas feliz e tranquila.

 

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