Artemio veio para o Mato Grosso com seu pai e seus irmãos para conhecer a região, inicialmente eles foram para Juara, mas o seu pai não gostou daquela terra que era só um areião, ele ouviu falar de Juína, que aqui a terra era boa, então sua família comprou um sítio na linha 3.
Quando foram ver a terra, orientaram eles sobre onde era, mas havia uma árvore no caminho e eles acabaram se desviando da picada e indo para o sítio errado, só depois de um tempo, quando já tinha até feito a derrubada do local, que eles perceberam que estavam no sítio errado. Então começaram a derrubado e plantar no local certo. Na mata eles se orientavam através do sol.
Artemio retornou para o Paraná onde ficou alguns meses, ele relata que não tinha planos de arrumar uma namorada na sua ida para lá, pois ia vir morar em Juína e seria difícil encontrar alguém que aceitasse se mudar com ele para cá, que ainda era no meio do mato.
No Paraná, ele foi em uma festa de formatura onde seu irmão seria padrinho de Ivanilde, sua esposa, foi lá que eles se conheceram, no município de Barra Bonita. Quando Artemio chegou na festa cumprimentou ela e o irmão dele, depois daquele dia eles ficaram um tempo sem se ver.
Foi em um Matine que eles começaram a conversar e se conhecer melhor.
Artemio conta que ele era muito tímido, mas quando começava a conversar com a pessoa não parava mais. Na época, ele já tinha vindo para Juína e nesse matine ele estava contando para suas primas como era o Mato Grosso, então Ivanilde chegou junto com algumas amigas e elas começaram a conversar também. As amigas dela foram embora e os dois continuaram a conversa. Eles combinaram de se encontrar no próximo domingo, nesse dia Artemio contou para ela que tinha um sítio aqui no Mato Grosso, contou como era o lugar e todas as dificuldades. Ela não se assustou com a ideia de vir para cá e foi aí que eles começaram a namorar.
Artemio retornou para o Mato Grosso, Ivanilde continuou no Paraná, os dois namoravam a distância, escreviam cartas um para o outro, as vezes demorava até 60 dias para ter o retorno da carta.
Eles namoraram por dois anos, se casaram em janeiro de 1986, na comunidade de Barra Bonita. Em fevereiro os dois vieram para Juína. A viagem era longa e toda a mudança veio de caminhão.
Artemio comenta que quando chegou em Juína pela primeira vez não se assustou com o lugar, ele sabia que o começo seria ruim, mas se perseverasse o futuro viria. A única coisa que ele tinha medo era da malária, doença que acometeu muitas pessoas na época.
Ivanilde conta que quando ela veio a situação era bem diferente da que ela vivia em sua antiga cidade, não tinha eletricidade, geladeira e para tomar banho eles pegavam água com um balde.
Aqui Artemio e a família começaram plantando arroz e milho, e criaram gado e porcos. Eles não tinham muita experiência com a criação de gado, mas foram entendendo como funcionava, sabiam que tinham que investir naquilo para ter um bom retorno financeiro. Aqui os pecuaristas já trabalhavam com o Nelore, mas o pai de Artemio não queria porque eles eram muito bravos, por isso trouxeram vacas leiteiras para criarem.
No começo, Artemio e Ivanilde moravam em um ranchinho até que sua casa fosse construída.
Em dezembro de 1986 nasceu a primeira filha do casal, a Cleidiane. Que hoje em dia mora em Goiânia e tem um filho de 14 anos, João Vitor.
O segundo filho do casal, é Julhiano, que nasceu em Julho e 1988. Perto da data dele e de Cleidiane nascerem, o casal ficou na cidade na casa de um amigo, pois eles moravam muito longe do hospital.
Atualmente Julhiano é casado e tem uma filha, Emanuela.
Artemio também conta sobre a crise da agricultura em 1989, quando a cooperativa, que ele era sócio, foi se desfazendo. Logo depois começou o garimpo na região.
Ele comenta ainda de um ano difícil que eles passaram em Juína, Artemio chegou a pensar que teria que vender tudo e retornar com a família para o Paraná. Foi o ano em que a cooperativa estava fechando, a lavoura tinha perdido valor, sua esposa estava grávida do terceiro filho deles e sua filha estava doente, com uma grave anemia.
Artemio arrendou uma parte de sua terra para garimpagem, com o dinheiro ele e a família foram para o Paraná por que lá tinha plano de saúde. No Paraná a filha deles foi tratada e o terceiro filho, Cleiton, nasceu, em setembro de 1989.
Depois daquilo, quando retornaram para Juína, as coisas melhoraram muito. O garimpo estava no auge, Artemio aprendeu como lavar as batedeiras e com isso encontrava alguns diamantes. O dinheiro que ele foi conseguindo investiu no sítio e pagou suas dívidas. Para Artemio o garimpo foi muito importante, foi quando ele alavancou sua renda e começou a investir em suas terras.
Ivanilde relata que pegou malária dezesseis vezes, antes ela pensava que a doença era parecida com uma gripe, mas em uma das vezes que contraiu malária ela ficou muito mal, teve uma febre tão alta que chegou a desmaiar. Os filhos do casal também pegaram malária e ficaram mal, emagreceram muito. Ela fala que foi o pior momento da vida dela.
Naquela época era difícil para as crianças irem até a escola, eles andavam seis quilômetros para pegar o ônibus e só voltavam para casa à noite.
Em janeiro de 1998, eles compraram uma casa na cidade, no módulo 5, Ivanilde e os filhos se mudaram para lá por um tempo. Artemio continuou no sítio trabalhando e ia para cidade a cada 15 dias.
Com a mudança ficou mais fácil para as crianças irem estudar, agora eles só tinham que atravessar a avenida para chegar até o colégio.
Artemio fala sobre uma emenda parlamentar em 2001, que visava levar 30 quilômetros de rede de energia para área rural. Ele conversou com seu vizinho Gilberto, que tinha conhecimento sobre o assunto, e seu vizinho foi atrás, em 2002 a rede foi construída, em 2003 a energia chegou até a casa do casal.
No ano de 2006 eles venderam a casa em Juína e compraram a terra que ficava entre os dois sítios deles.
Artemio conta que a pouco tempo ele se deparou com uma cobra bico de jaca quando estava esperando, ele pisou em cima da cobra, se assustou, mas acabou tudo bem.
O casal comenta que nunca sentiram arrependimento de vir para Juína. O começo foi difícil, mas eles sabiam que iria melhorar, assim como aconteceu com os seus pais quando eles estavam colonizando o Paraná.
Artemio fala que acredita que Juína irá crescer como polo regional, também acredita na agricultura familiar e na pecuária.
Ivanilde fala que Juína evoluiu muito e que ainda pode melhorar.
Como mensagem final, Artemio comenta que Juína é grande e quem chega tem condições de se dar bem, mas a formação vem do berço e não se acha nada pronto. Quem quer fazer uma faculdade deve se empenhar nos estudos desde pequeno e não se deve desistir no primeiro obstáculo, tem que encarar as dificuldades.
Ele reforça para que os jovens não se envolvam com drogas. Que busquem se formar mesmo que seja para trabalhar na roça depois.
Ivanilde diz que é necessário ter força de vontade e não perder a esperança. Que quando não conseguir se levantar busque no alto que você irá vencer.
Ela também reforça que os jovens devem estudar para vencer.
Artemio fala ainda que aquele que não estuda está sujeito ao salário mínimo, ele dá o exemplo da situação atual, o preço de todas as coisas tem aumentado e o salário mínimo não aumentou quase nada, para quem é assalariado as cosias não estão fáceis.
Confira abaixo a história em audio, vídeo e fotos da época.