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PIONEIROS

Família Zan

A família pioneira chegou em 08 de Agosto de 1980

José Aparecido Zan Natural de Lençol paulista São Paulo e Matilde Pedoncini Zan natural de Jandaia do Sul Paraná.

Se conhecerem em Jandaia do Sul Paraná, desde crianças como descreve dona Matilde:

- Eu nasci em jandaia, fui a terceira filha do meu pai. E ele era de uma família de São Paulo, e assim a gente se conheceu desde pequeno, íamos à escola juntos e crescemos juntos. Ele era um pouco mais adiantado que eu na escola, são 4 anos de diferença, mas teve um ano que nós estudamos na escola juntos.

Matilde e José frequentava muito a igreja na comunidade São Pedro em Jandaia do sul, estrada do Guaporé, e também íamos muito às quermesses, as festas de igreja, e foi nessas festas que os dois começaram a namorar.  

A iniciativa do namoro foi recíproca diz dona Matilde, ela conta que ele sempre a olhava e chegou a dizer para uma amiga dela que gostaria de namorá-la.

Tímido seu José comenta que pediu para o pai de Matilde a permissão para namorá-la, e diz que foi bem aceito pelos sogros, ainda em tom de brincadeira relata que não foi posto para correr.

O namoro bem restrito na época permitia somente bailes acompanhados dos pais de Matilde, ela relata que geralmente o pai era padrinho de casamento e eram as oportunidades de saírem juntos ou quando tinha festa de igreja durante o dia.

O namoro que começou em 1960 e foi até o dia do casamento em 1964 em Jandaia do Sul, na igreja São João Batista, José com 18 anos e Matilde com 14 anos.

Depois do casamento, os dois viveram até 1970, quando se mudaram para Tupanci próximo de Cascavel. Depois foram para Iguatemi no mato grosso do sul e de Iguatemi foram pra São Paulo onde moraram por um ano e meio em 1979, foi quando seu José veio para o Mato Grosso comprar veio em Juína para comprar pedras e terra.

Os quatros filhos do casal Zan são também pioneiros de Juina Gildo Cezar Zan (in memória) natural de Jandaia do Sul - PR do dia 22 de Abril de 1965, Gina Carolina Zan a segunda filha natural de Mandaguari - PR 30 de Janeira 1967, Ronaldo Zan terceiro filho natural de Mandaguari - PR de 31 de agosto de 1968 e Geani Zan natural de Mandaguari - PR a caçula de 07 de Julho de 1970.

Seu José Zan veio para o Matogrosso por causa dos cunhados que resolveram vir para e convidou para vir também, Ronaldo Zan descreve as motivações do pai

“- Resumindo o pai sempre foi um cara que gostou de interior, fazer o futuro, e nós só fomos pra São Paulo, por que foi vendido meio ás pressas, por causa de perda de lavoura no Mato Grosso do Sul, tivemos que vender a propriedade. Assim através dos meus tios soubemos que saiu no jornal a venda de terra em Juína pela CODEMAT, meus tios convidaram meu pai, então meus tios juntamente com meu pai vieram até as terras para conhecer. ”

Seu José Zan relata que a primeira vez que nós viemos aqui, foi de avião teco-teco. Só tinha rua 1º de maio e ainda estavam começando outras. Ele relata que a compra foi realizada e voltou somente para buscar a família.

A mudança aconteceu em 08 de Agosto de 1980, em um caminhão Chevrolet com a mudança a família e alguns animais.

Ronaldo relata que a mudança aconteceu em um caminhão toco, tinha um areão que ligava Cuiabá a porto velho, por que o único meio de chegar a Juína era por vilhena RO, que era muito ruim pra chegar por causa disso, e na época tinha que ser um caminhãozinho toco, se não atolava no seco, na areia seca. E foi o que aconteceu, eles acabaram atolando na areia, pois em agosto a seca estava muito brava. A viajem com todos os imprevistos durou 8 dias saindo de Tupanci até chegar em Juína

Seu José e Ronaldo Zan relatam que tinham que parar alimentar os animais, parar para cozinhar, parava para dormir, mas foi tranquilo.

A estrada de Vilhena pra Juína era uma estrada recém levantada, muito boa, o problema era Cuiabá até Vilhena que era uma estrada muito precária, o areão era o impasse maior.

Dona Matilde relata que quando chegou aqui em Juína tudo era bem diferente da sua até recente realidade, a cidade não tinha nada, eram somente duas ruas.

Seu José diz que carne de boi só vinha de avião e nos açougues só no final de semana. Matilde Zan diz que era muito diferente mesmo, cansaram de comer almondegas enlatadas, pois não tinha outra mistura.

A Matriarca da família conta que apesar de falta de opções em comparação a residência em São Paulo não teve vontade de voltar, ela explica que o era lugar novo, os filhos tudo estavam contentes, como todos eram adolescentes tudo era uma aventura, a estrada sofrida para eles era tudo festa, quando paravam para fazer comida perto de um rio eles corriam tomar banho.

A chegada não foi tão difícil pois seu José já tinha reservado uma máquina de arroz aqui em um barracão, no setor industrial, onde já havia m familiar instalado, e foi o primeiro local que família chegou, ali era acomodada as famílias que iam chegando na nova cidade.

Após 3 meses a família se mudou, em dezembro foram para o posto fiscal que ficava no trevo de vilhena e tangará. Ali fizeram um ranchinho de tabuinha tirada no facão, para fazer a primeira casa da família.

Só que no início a família passou por alguns sustos Gildo o mais Velho dos 4 filhos ficou gravemente doente e Ronaldo o filho do meio acabou se acidentando com um motosserra, enquanto cortando os paus para fazer o alicerce da casa, estava ajudando seu José, o menino com 12 anos virou-se e o motosserra acertou-o levando 23 pontos.

O hospital da época era o Nossa Senhora das Graças com o Dr. Carlos, onde hoje se encontra o Corpo de Bombeiros hoje, mas logo após a recuperação de Ronaldo seu José também se acidentou no processo de construção da casa, cortou o nervo do dedão.

José Zan trabalhou com carpintaria, já que tinha prática no trabalho com madeira, construiu várias casas na cidade, mas logo decidiu trabalhar no sítio da família, compraram um Trator com trilhadeira em 1981, para trabalhar com esse ramo.

Na época em Juína os cultivos focavam em milho e arroz, e como seu José tinha que pagar as terras que havia comprado, chegou a levar o trator com a trilhadeira até a Serra Morena.  Seu José diz que o trabalho não lhe rendeu fortuna, mas dava para comer

As dificuldades eram grandes, principalmente se uma peça quebrava pois era difícil encontrar peças para os maquinários em geral, por muita sorte encontravam de máquinas de ferro velho.

Os filhos do senhor Zan foram trabalhar para ajudar em casa, Gildo o mais velho começou a trabalhar no posto Santa Laura, hoje posto Pasqualloto,

Dona Matilde e Gina a segunda filha, lavavam roupa para outras pessoas, como mecânicos de posto, eletricista, borracheiros, para também ajudar.

Ronaldo Zan vendia sonhos feitos pela mãe na avenida da cidade, e nas lojas. O terceiro filho do casal relata que o pai sempre falava “tem que se virar, tem que vender um abacaxi, uma mandioca”, Ele conta que a família tinha uma mulinha e ele fazia frete com uma charretinha, moravam na chácara e sempre que aparecia um frete ele ia fazer, o cara tinha que trazer uma mandioca, alguma coisa para cidade, você ia lá, se ia puxar uns cereais, ia puxar com ela, ajudava.

Foi através da lavoura de café que a família conseguiu o primeiro caminhão para a retirada da madeira. Uma vez a família também fez buraco para fazer carvão, seu José explica que conseguiu fazer um bom dinheiro, pois as no início tinha as fundições do senhor Bruno Daltoer, seu Ivo Negri que dependiam do carvão, então foi uma saída que a família encontrou para ajudar mais na renda de casa.

Quando deu uma geada na África e no Sul do brasil, a oferta mundial diminuiu, com a demanda alta o café do valorizou, foi assim que Ronaldo, responsável pela colheita do café, vendeu o café que foi investido no primeiro caminhão para tirar tora na catraca. O irmão mais velho Gildo foi transferido para o posto que abriu em castanheira, devido ao bom serviço, virou Subgerente.

Com o começo dos trabalhos com a madeira se tornou interessante Ronaldo e seu José virem o negócio fluir e ser lucrativo, começaram a evoluir compraram um trator com guincho o que facilitou o trabalho, e logo Gildo voltou para trabalhar com a família, formando uma sociedade entre os 3. Com o trabalho rendendo, logo compraram um outro caminhão, dessa vez traçado.

Dona Matilde em 1985 começou a buscar confecções em São Paulo a cada 60 à 70 dias e revendia aqui outra fonte de renda forte para a família, mas antes disso ela e a segunda filha Gina, no mandado do primeiro prefeito de Juína Orlando Pereira, elas deram aula em uma escolinha de madeira na comunidade Nossa Senhora do Carmo.

Seu José fala que o momento mais triste, foi quando feriu Ronaldo na cabeça com o motosserra, e quando fazia negócios e tudo dava errado. Já para Ronaldo foi os eventos consecutivos, a doença do irmão mais velho, o acidente do seu José, e as dificuldades que a família passo para pagar as terrar adquiridas.

A família passou por um momento triste com o falecimento de um ente querido logo quando se mudaram para o Mato Grosso, em 1982, Ronaldo relata que ficou entristecido com a morte da Avó por quem tinha muito carinho e se questionou sobre ter vindo morar tão longe e não poderia mais ver a avó nunca mais.

Já a Matriarca dona Matilde diz que as preocupações foram mais no início mesmo, mas depois tudo se ajeitou.

Já os momentos felizes foram a inspiração para a família continuar sua trajetória no novo município, Seu José fala que ver os filhos encaminhados e bem-criados é uma das suas maiores felicidades, ele agradece a Juína pois foi acolhedora e permitiu o crescimento de muitos que moram aqui.

Dona Matilde fala que sua felicidade foi o primeiro neto, pois foi muito marcante, ela fala que o nascimento de todos os filhos foi sua grande felicidade e fica ainda mais contente vendo todos trabalhadores de caráter e sempre serem bons filhos.

Ronaldo relata feliz sua chegada na cidade, mas a alegria aumenta quando ele fala da esposa, do seu casamento e do nascimento do seu filho.

O pioneiro conta que desde a gravidez da esposa conversava com o filho na barriga e ele se mexia, quando ele chegava do trabalho, na época trabalhava no mato, ele cumprimentava a esposa e falava com o filho na barriga da esposa, colocava a mão e parecia que ele reconhecia a voz do pai.

No dia do nascimento do filho ele fala que a emoção foi grande, quando a enfermeira trouxe o pequeno, ela falou “olha papai cheguei” e já no colo do pai com os olhinhos fechados, Ronaldo disse as primeiras palavras com o filho e ele correspondeu imediatamente, deu um pulinho e abriu os olhos, o mais novo pai disse que não teve como não chorar naquele momento inesquecível.

Seu José, Dona Matilde e Ronaldo Zan, que contaram a história da família em Juína deixa sua gratidão pela cidade, e deixa uma mensagem de fé, esperança e amor para o povo Juinense para os mais jovens, serem trabalhadores e honestos que isso os levaram longe na vida.

 

Acompanhe a história completa no vídeo da família Zan. (video corrigido)