José Ferreira Lima Junior chegou a Juína em 1978, depois de ter feito um curso técnico em mineração na ETFRN- escola teórica no Rio Grande do Norte, veio para a região fazer estágio de 6 meses, ele conta que com 2 meses de trabalho ele foi contratado definitivamente. Trabalhou 8 anos na empresa até o momento que houve uma invasão garimpeira e foi o momento que Lima saiu do trabalho para ficar mais com a família.
Ele conta que veio até a cidade de Vilhena de avião, foi aconselhado a comprar mantimentos necessários ante de vir para região devido à falta de suporte suficiente para suprir algumas necessidades, depois veio com um carro da empresa e devido às condições da estrada não era cascalhada e era puro areão levou 10 horas para chegar até o local onde ia trabalhar.
Lima relata que apesar de ter chegado em 1978 só veio a conhecer a cidade em 1979, ele diz que a cidade tinha pouquíssimas casas e ainda estavam construindo o hospital e a rodoviária, e se lembra do mercado Comercial que pertencente à família Pretto. Isso aconteceu devido a uma visita de investidores na mineração SOPEMI S/A, e pediram para Lima fazer compras na cidade. A mineração estava acampada no180, rio 21 de abril, nessa época.
A mineração se expandiu e mudaram para linha 03 (Rio São Luiz e Porcão), aonde concluiu seus longos estudos e trabalho de pesquisa, passando assim a fase de exploração foi quando a mineradora mudou a razão social para Mineração Irapená S/A.
Elzira Salete Bergamin Lima, esposa de José Ferreira Lima Junior e de família conhecida na cidade, veio de Barbosa Ferraz no Paraná. Salete relata que residia para estudos em Maringá, pois a cidade em que a família morava não possuía 2º grau, ela morava em uma república feminina juntamente com três á quatro primas mais algumas amigas e estudou desenho de arquitetura.
Salete relata que o pai foi candidato a prefeito na cidade de Barboza Ferraz, o mais votado, mas devido a soma das legendas, acabou por não se eleger e não quis mais. Ela conta que o Falecido irmão Hermes Bergamin estudava para ser padre em Toledo e o falecido Eugenio Roberto Bergamin, irmão que sonhava em ser médico estudava em Curitiba, e as meninas todas em Maringá.
O pai de Salete possui cerealista e sítios no Paraná, não chegando a ser muita terra, mas tinha um pouco em cada lugar. Entristecido com os problemas, o chefe da família escolheu um lugar aleatório no mapa para se mudar do Paraná. Ela conta que o pai teimoso, queria adquirir terra vermelha e acabou descobrindo na região do Mato Grosso, terra roxa. Em uma visita a localidade, sentiu-se encantado com a região e decidiu que viria morar aqui.
Salete relata que na época não se podia entrar para residir em juina sem uma carta da polícia com bons antecedentes, mas o pai fez todos os trâmites para morar na nova cidade.
As terras da linha três foram os objetivos do pai, chegando a emancipar Elzira Salete na época com 16 anos para comprar terra em seu nome, pois só podia adquirir 1 lote de terra cada pessoas, então cada filho ganhou terra no nome.
A chegada do chefe de família em Juína foi por volta de 1978, montou uma serraria para extração de madeira, deixando os filhos para terminar os estudos no Paraná e finalizar tudo para se mudarem para nova terra. A chegada oficial do restante da família aconteceu em 1980, residir na serraria da família.
Logo de início foram procuradas pelo professor Zenão, pois necessitava de professoras e ele ficou sabendo da chegada delas na cidade. E mesmo sem saber como da aula e possuindo somente o 2º grau, um técnico em desenho de arquitetura e sem saber o que era pedagogia ou o magistério começou a lecionar. Durante a atuação a pioneira começou a estudar o magistério e fez o Logus para aprimorar a técnica de ensino.
Ela comenta que nesse tempo veio um pessoal oferecendo faculdade, e Salete embarcou na faculdade de pedagogia na cidade de Jaciara, mas no final perderam a faculdade toda que inclusive era paga, pois a instituição não era regularizada pelo MEC.
A serraria era um serviço árduo, ela relata que o “trabalho era feito hoje para comer amanhã” e todos passaram muito apertado a maior dificuldade era comida, faltava muita coisa e tudo o que tinha era extremamente caro. A Solução que a família encontrou foi começar a plantar, fizeram uma horta.
Ela relata que no Paraná eles possuíam uma vida financeira razoavelmente boa, casa boa, empreendimento próprio, todos estudavam fora e aqui a vida se tornou muito complicada, mas o que a manteve aqui foi o ato de lecionar de sentir-se útil e assim se tornou professora de Juína.
Salete conta que reclamava bastante quando mudou-se para cá, principalmente por que não havia rapazes, todos estavam no garimpo. Ela com seus 19 anos e a irmã mais velha com 20 anos estavam no auge e gostariam de sair e passear. As primeiras amigas das irmãs Bergamin foram Sabina Ganzer e Ivone Ganzer, e só tinham a igreja para ir.
Salete conheceu o marido José na danceteria Catuaba, eles contam entusiasmados os tempos de paquera entre os dois, os ciúmes dos irmãos de Salete, a disputa dos subordinados de José que também tinham interesse em Salete, o tempo de namoro até o casamento. Eles relatam que foi o ultimo casamento realizado na capelinha de madeira que possuía em juina, antes da construção da igreja de material.
Acontecia muito na cidade brigas entre famílias rivais, e sempre que saiam as ruas estavam sujeitos a levar um tiro. Ela relata que houve um briga no CTG que tiveram que se esconder de baixa da mesa, por que voava cadeira e tudo que encontravam pela frente pela briga dessas famílias.
A cidade de Juína pertencia ao município de Aripuanã e tudo que precisava ressorver em questões documentais e entre outros teriam que se deslocar até Aripuanã para resolver.
Para emancipar a nova terra necessitava-se de 500 assinaturas e conseguiram, foi à maior festa muita comemoração. Assim veio a primeira eleição de Juína, o irmão de Salete falecido Eugênio Roberto, foi candidato a vereador, mas acabou falecendo no dia das mães, não chegando a concluir o cargo de vereador. O primeiro desfile de miss no CTG em Juína Elzira Salete participou ficando em 2º lugar como miss beleza.
Salete começou a se interessa pela política, pois via muita coisa necessária a ser feita e a mulher naquela época era pouco valorizada, e ressalta que ainda hoje precisa de mais valor, mas na época era difícil e Salete mesmo sendo mulher viu que algo precisava ser feito, principalmente em relação aos seus alunos aos pais deles.
Um dos principais interesses políticos da pioneira é o fato de Juína ainda não possuir uma faculdade pública. Antes de ser vereadora ela teve um trajeto como educadora, foi professora, coordenadora, até fechar como diretora da escola Guilherme.
Atualmente José Lima ainda atua em uma empresa de mineração, o casal é empresário no ramo imobiliário, Salete ainda possuía outra empresa, mas largou para cuidar da eleição do irmão Hermes Bergamin falecido em 2018 e depois cuidou da mãe já idosa então não voltou a mexer na empresa.
Salete perdeu o Irmão Eugenio Roberto em 1983, o pai em 2008, o irmão Hermes em 2018 e a mãe em 2019, Salete conta que todas as perdas foram de dor extrema, mas a morte mais sentida por ela foi a do irmão Hermes, pois era uma ligação forte que tinha entre eles.
O casal finaliza relatando que Juína sofreu o que tinha para sofrer e agora a cidade tem que estar focada no avanço, e a esperança que fica é de um futuro promissor.
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