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NOTÍCIA

SEM RESPIRAR E SEM ÁGUA: IMPACTOS DA SECA HISTÓRICA NO AMAZONAS

Data: Quarta-feira, 08/11/2023 10:38
Por: Metrô FM Juína

A região amazônica está enfrentando uma seca histórica causada El Niño e pelo crime ambiental. O período de estiagem ocorre todos os anos na região Amazônica, porém, em 2023 o estado inteiro entrou em situação de emergência.

A Defesa Civil do Estado do Amazonas divulgou que 62 municípios entrarem em situação de emergência devido à estiagem, afetando 589 mil pessoas.

O porto de Manaus registrou o nível mais baixo dos últimos 121 anos, atingindo a marca histórica de 12,70 metros.

Especialistas apontaram dois fatores principais para essa situação, um deles é o fenômeno el niño, caracterizado pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico, e as mudanças climáticas.

“Existem vários pontos [que causam a seca], um deles, por exemplo, é a questão do El Niño, que é um fenômeno climático que acontece de dois a sete anos, mais ou menos com essa frequência, por conta de uma mudança de ventos no Oceano Pacífico. Os ventos param de circular em uma direção e começam a circular em outra e isso começa a produzir uma mudança na circulação oceânica e também na geração de calor nos oceanos. De forma geral, o fenômeno afeta a precipitação em vários pontos do planeta. Em alguns lugares fica mais seco e em outros fica mais chuvoso. No caso da Amazônia, toda vez que se tem um evento de El Niño, a Amazônia fica mais seca”, explica Hernani Oliveira, pesquisador em Ecologia Molecular, Genética e Conservação e especialista de avaliação dos efeitos de eventos climáticos extremos em redes de interação antagonísticas e mutualísticas na América Central pela Queen Mary University of London.

As chuvas dos meses de julho e agosto foram abaixo da média para o esperado no período. A seca extrema tem ameaçado a existência dos rios do Amazonas, da vegetação e também da população que vive às margens dos cursos da água.

Lagoas formadas pelos rios Negro, Solimões e Amazonas secaram por completo, e algumas comunidades ficaram sem água potável.

Para enfrentar a situação moradores tem furado poços simples, também conhecidos como “cacimba”, em busca de água potável.

Além da falta de água, Manaus também sofre com uma densa "onda" de fumaça. A qualidade do ar na cidade é considerado péssima.

A capital do Amazonas é o epicentro de uma grave crise ambiental que atinge todo o estado. O problema é potencializado pelas queimadas que, em todo o Amazonas, somam mais de 15 mil nos últimos três meses. Outubro, inclusive, foi o pior mês em relação aos incêndios dos últimos 25 anos. Com o problema, o governo do estado decretou emergência ambiental.

A situação é preocupante e não se sabe até quando os amazonenses terão que enfrentar a fúria da natureza.