Governo descobre PM que recebeu salários por dez anos mesmo afastado de funções de forma irregular e determina expulsão
A Secretaria de Defesa Social (SDS) determinou a expulsão de um terceiro sargento da Polícia Militar de Pernambuco. Segundo as investigações, ele passou dez anos afastado irregularmente das funções, mas recebendo os salários normalmente. Além disso, ha informações de que o militar teria trabalhado para uma prefeitura do interior do estado.
A portaria de número 1925, de 24 de março deste ano, com a exclusão “a bem da disciplina”, foi assinada pelo secretário de Defesa Social, Humberto Freire, e publicada no Diário Oficial de sábado (26).
O terceiro argento foi alvo de um processo administrativo disciplinar militar. Segundo o procedimento, o militar obteve vantagem diante "de uma falta de controle da administração pública" e ficou "afastado irregularmente das suas atribuições funcionais, recebendo, normalmente, seus vencimentos durante os anos de 2000 a 2010”
Além disso, afirma a decisão publicada no Diário Oficial, nesse intervalo de tempo, o militar “estaria trabalhando à disposição da Prefeitura de Brejão, no Agreste de Pernambuco”.
No texto, a Secretaria de Defesa Social afirma que ficou evidente que o policial abandonou seus serviços e não exerceu suas atividades na Polícia Militar, "fazendo transparecer o desvalor que o mesmo nutre pelo cargo público que ocupa”.
Ainda segundo a determinação de exclusão do militar, essa atitude “claramente concorre para comprometer a dignidade da função policial, violando assim preceitos éticos que afeta diretamente o sentimento do dever [...] e o decoro da classe”.
No julgamento, o militar foi considerado culpado de acusações apuradas e incapaz de permanecer integrando à corporação. A SDS determinou, ainda, que uma cópia dos autos do processo seja enviada à PM, para as “providências julgadas cabíveis.”
O g1 tenta contato com os defensores do terceiro sargento. A reportagem também procurou a SDS para falar sobre o caso e não obteve retorno, até a última atualização desta reportagem.
Advogado que atende causa de militares, Eduardo Moraes explicou o que pode ter ocorrido no caso do terceiro sargento punido pela SDS.
Segundo ele, de acordo com o regulamento, PMs podem tirar licença médica durante o período de um ano, renovando automaticamente e validando no hospital da corporação.
Após dois anos de pedidos de licença médica, o militar deve mudar de categoria e passar a ser considerado "agregado".
Isso significa que ele não vai mais receber com policial da ativa e sim como "aposentado". Assim, o salário passa a ser pago para quem está na reserva remunerada.
Moraes disse que , em caso de determinação de expulsão nessa circunstância, é possível recorrer da decisão.
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