De acordo com o registro feito pela polícia, durante a abordagem, o policial pediu que a avó entregasse o celular, mas ela teria se negado e desferido tapas, socos e chutes no agente. Ela foi imobilizada e encaminhada à delegacia para prestar esclarecimento.
Conforme o boletim de ocorrência, a avó deve responder por subtração de incapaz e desacato. Após o depoimento na delegacia, ela foi liberada.
O g1 a procurou, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
A mãe da menina disse que viajou para São Paulo para ajudar nas buscas pela menina, mas sem sucesso.
Por não cumprir o mandado, o pai da menina poderá responder por desobediência judicial e, consequentemente, perder o registro profissional.
"Se no âmbito judicial for provada a materialidade de crime, o Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-MT pode instaurar procedimento. Sendo assim, o processo que tramitar na OAB pode, ao final, concluir pela perda do registro profissional", diz a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
A mãe contou que essa não é a primeira vez que o pai da filha descumpre o acordo. Ela teve um relacionamento com o advogado durante nove meses e, quando estava grávida de dois meses, eles se separaram.
"Depois que terminamos, ele nunca me procurou para saber como estava a gravidez, se eu estava precisando de ajuda. Mas um dia antes do parto, ele disse que queria acompanhar o nascimento e eu recusei, pois ele sempre esteve ausente. A partir daí, ele começou a me ameaçar", contou.
Segundo ela, após o nascimento, o advogado e a mãe dele sempre pediam para levar a bebê para passar um tempo na casa deles. Quando a bebê tinha um mês de vida, o pai entrou com um processo para ter esse direito. No mesmo período, a mãe entrou com um pedido de medida protetiva.
"Nunca os impedi de ver a criança, mas ele sempre foi autoritário e agressivo. Entrava na minha casa sem pedir licença, me ameaçava. Chegou a chutar meu cachorro, o que foi o cúmulo para mim, e então entrei com o pedido", relatou.
Ela contou que se casou novamente quando a filha tinha 2 meses, e, tempo depois, teve um menino, que atualmente está com 6 anos.
"Ela [filha] acabou criando um laço muito grande com o pai do meu caçula e isso para ele e para a mãe dele era a 'morte'. Foi então que ele me acusou de alienação parental. Quando ela tinha 2 anos ele falou que a filha tinha contado que o padrasto havia espancado ela, o que era mentira. Daí ele sumiu com ela pela primeira vez", disse.
De acordo com a mãe, que é enfermeira, foram 12 dias longe da filha, até conseguir recuperá-la. Depois disso, foi feita uma audiência e não ficou comprovada as agressões, no entanto, o juiz determinou que o padrasto ficasse longe da menina.
Tempo depois, os pais fizeram um acordo na Justiça para compartilhar a guarda.
"Depois de um ano de acordo, ele foi embora de Cuiabá e as visitas passaram a ser nas férias, mas ele nunca me devolvia na data certa. Porém, para não ter briga, eu parei de bater de frente e eu também queria que ela tivesse a convivência com a família dele", relatou.
De julho a outubro do ano passado, a criança ficou sob os cuidados do pai, mas sem o consentimento da mãe.
Segundo a enfermeira, ele alegou que a menina estava passando por tratamento em São Paulo, pois teria sido diagnosticado com dislexia.
Nesse período, ela disse que dificilmente conseguia contato com a filha e só conseguiu pegá-la de volta após solicitar à Justiça um mandado de busca e apreensão.
"Quando a peguei de volta, a levei em vários profissionais, mas os exames nunca apontaram que ela tinha problemas", disse.
Em janeiro deste ano, segundo a enfermeira, o advogado pediu novamente para ficar com a menina durante as férias, porém, novamente, ele não devolveu na data combinada.
"Ele disse que não a devolveria, porque ela estava fazendo tratamento em Bauru de novo. Ele disse que ela assistiria aula online, mas ela ficou dois meses sem assistir as aulas e, sem eu ficar sabendo, ele cancelou a matrícula dela em Cuiabá e a matriculou em uma nova escola em Bauru", contou.
Em abril, foi expedido um novo mandado de busca e apreensão, no entanto, os oficiais e a própria família da mãe não conseguiam localizar a criança.
Em maio, a enfermeira conseguiu levar a filha para casa novamente. Tempo depois, o juiz determinou um estudo psicossocial.
Ainda conforme o relato da mulher, em julho, o pai pediu novamente para passar as férias com a filha, mas até agora não foi devolvida.
"No dia de devolver, ele não estava no apartamento. Quando minha advogada ligou, descobriu que ele estava em Bauru de novo. Ele peticionou ao juiz e disse que entregaria somente depois do Dia dos Pais, mas isso também não aconteceu. O pior é que nem com ele a menina está mais. Não sabemos onde ela está", disse.
A criança estava matriculada em uma escola de Cuiabá e deveria ter voltado às aulas ainda em julho, o que não aconteceu.
A advogada da mãe disse que a matricula da menina foi cancelada em uma escola da capital mato-grossense e transferida para uma escola em Bauru (SP).
"As atividades pedagógicas são enviadas semanalmente pelas professora. Entretanto, a escola informou à mãe que desde da data o dia 30 de agosto a menor não devolve as atividades enviadas. Isso significa que desde então ela está sem participar das aulas", explicou.
Segundo a advogada, a ausência das devolutivas das atividades para a escola coincidem exatamente com a data do cumprimento da busca e apreensão.