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NOTÍCIA

Funcionários denunciam superlotação e reutilização de máscaras em frigorífico de Várzea Grande

Denúncia aponta que frigorífico não atende normas para combater Covid-19.

Data: Terça-feira, 26/05/2020 16:40
Por: Folha Max
Divulgação

Funcionários da Marfrig Global Foods denunciaram nesta terça-feira (26) situações de "insalubridade" na unidade frigorifica que funciona no bairro Alemada, em Várzea Grande. Através de áudios, colaboradores apontam que a empresa não está cumprindo com as determinações para evitar a proliferação do novo coronavírus.

Segundo um trabalhador, a fábrica estaria exigindo a devolução das máscaras de proteção na saída sem colocá-las na devida higienização. O mesmo diz ainda ser cobrado R$ 5 pelo descumprimento da ordem. “Eles pedem pra gente a máscara. A gente usa a máscara e depois entrega pra eles na saída. Se a gente não entrega, eles cobram R$ 5. Você acha certo a gente usar uma máscara. Usar hoje, amanhã a gente nem sabe quem usou. Aí eles fazem a gente obrigar a usar. Está feio aqui nessa Marfrig”, disse um dos funcionários em um vídeo exibido pelo programa Balança MT (TV Cidade Verde, canal 12).

As declarações ocorrem após a confirmação de que 25 funcionários da empresa testaram positivo para o Covid-19. Além disso, uma mulher que também trabalhava na unidade morreu após contrair a doença.

Nesta segunda, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que a empresa adotasse medidas para evitar a proliferação do vírus entre os empregados. A liminar atendeu ao pedido realizado pelo Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso que ajuizou uma Ação Civil contra o frigorifico após os registros de contaminações.

Entre os requisitos, foi imposto que cada trabalhador ocupasse sozinha uma área de nove metros quadrados e ficasse no mínimo um metro e meio de distância dos demais. O distanciamento também deveria ser respeitado em todas as unidades do Estado e em todos os períodos de deslocamento como troca de turnos, utilização de vestiários, refeitórios e pausas térmicas sob pena de multa de R$ 10 mil por dia ou até R$ 100 mil por cada item descumprindo.

Contudo, segundo os servidores as medidas não foram devidamente respeitadas, criando pânico entre os trabalhadores que temem pela contaminação meio as aglomerações. “Você entra no refeitório. Tem muita gente no vestiário. Tem um lugar lá que está todo mundo no vestiário. Na portaria a mesma coisa. Os funcionários estão trabalhando ruim. Eles não estão querendo ir no médico porque eles não querem ficar afastados. Estão trabalhando ruim e a gente está com medo”, disse outro colaborador.

A Marfrig justificou que está empenhada em atender as determinações da justiça. Cita que já vem adotando uma série de medidas para o monitoramento e prevenção através de um comitê permanente que segue as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde.