Após conseguir o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importação excepcional de 71 mil doses da vacina Sputnik V, o governo de Mato Grosso corre contra o tempo para fechar o contrato com o Fundo Soberano Russo. Isso porque os russos confirmaram nesta terça-feira (15) que enviarão o primeiro lote do imunizante ao Brasil no próximo mês, com 1,5 milhão de doses.
O governo de Mato Grosso comprou 1,2 milhão de doses da Sputnik V, por meio de uma articulação entre os Consórcios Nordeste e Amazônia Legal. Contudo, a liberação das importações aconteceu de forma separada. A Anvisa autorizou primeiro o pedido de seis estados, no dia 4 de junho, e liberou nesta terça-feira (15) a compra feita por mais sete estados, entre os quais está Mato Grosso. Por isso, ainda não há confirmação de que o primeiro lote incluirá as 71 mil doses compradas pelo governador Mauro Mendes (DEM).
Em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (16), o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirmou que ainda será feito um alinhamento entre os governadores que efetuaram a compra para tratar da distribuição das doses. Eles também têm uma série de questionamentos que precisam ser esclarecidos antes de finalizar as tratativas.
“O governador vai reunir com os demais governadores do consórcio. Tem 28 questionamentos que têm que ser respondidos em relação a isso, são as premissas para a compra da vacina. São 71 mil doses. Definindo isso daí, o governador deve dar a ordem de serviço para compra e, logicamente, aguardar a decisão definitiva da Anvisa para comprar as demais e imunizar todo o estado”, disse.
Presidente do Consórcio Nordeste, o governador Wellington Dias (PT), do Piauí, informou nesta terça que o cronograma de entrega das vacinas adquiridas pelos dois consórcios será apresentado na próxima semana.
RESTRIÇÕES – A Anvisa liberou no dia 4 de junho a importação excepcional da vacina Sputnik V, mas decidiu impor uma série de restrições ao uso indiscriminado da vacina, alegando que ainda persistem algumas “incertezas técnicas” na documentação apresentada pelo governo russo.
Entre as condicionantes estão:
- limite de doses suficientes para imunizar 1% da população;
- uso apenas em pessoas saudáveis, com idade entre 18 e 60 anos;
- proibição de aplicação em idosos, gestantes, lactantes e pessoas com comorbidades;
- importação de doses fabricadas em unidades inspecionadas pela Anvisa;
- vacinas importadas devem ser aprovadas pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), da Fiocruz;
- bulas e rótulos devem ser traduzidos para o português;
- comunicado claro de que a vacina foi liberada com base em relatórios de segurança e eficácia emitidos pela agência sanitária russa.
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