A Classe III é uma má oclusão caracterizada por discrepâncias anteroposteriores dentárias e faciais, normalmente acompanhadas por alterações esqueléticas, é outro tipo de desarmonia de crescimento entre os ossos maxilares. São caracterizadas pelo posicionamento mais anterior da mandíbula em relação à maxila, ocorre um crescimento excessivo da mandíbula, sendo que a discrepância pode ser causada pela deficiência anterior da maxila (falta de crescimento da maxila), prognatismo mandibular excessivo ou a combinação de ambos. O paciente geralmente tem o queixo mais proeminente, com um perfil facial convexo, o que prejudica muito a sua estética facial. Possui um componente genético associado na maioria das vezes.
O diagnóstico precoce, correto e o tratamento adequado são de suma importância para promover o controle do crescimento e evitar recidivas. O tratamento da Classe III deve estar baseado fundamentalmente no diagnóstico para que o tratamento seja instalado no sentido de corrigir as estruturas comprometidas, ou seja, deve-se avaliar o grau de envolvimento da maxila e da mandíbula para que o tratamento seja direcionado àquela base óssea e realmente alcance seus objetivos e impactos de melhora facial. O redirecionamento do crescimento nos casos de Classe III está indicado assim que a anomalia for diagnosticada, pois os processos de deslocamento que ocorrem na face média somente podem ser afetados com tratamento enquanto as zonas de crescimento forem capazes de responder ao estímulo biomecânico. Portanto quanto mais jovem o paciente Classe III for tratado, melhores serão os efeitos de correção facial, assim que foi diagnosticado, já é necessário iniciar o tratamento.
O tratamento precoce pode ser decisivo neste caso, para que no futuro o paciente não necessite de uma cirurgia ortognática que solucione o problema, porém nos casos de classe III verdadeira onde existe um componente genético muito forte, este tratamento minimiza futuras correções cirúrgicas.
E a simples “camuflagem” do problema com aparelhos fixos após a fase de crescimento, corrige até o problema do posicionamento dentário em alguns casos, mas não altera o seu perfil. A Classe III pode ser interceptada durante a fase de crescimento e desenvolvimento craniofacial através do uso de aparelhos ortopédicos. O crescimento mandibular, obedece ao controle genético. Portanto, os efeitos dos aparelhos ortopédicos que visam restringir o crescimento da mandíbula mostram-se limitados, o que conduz ao pobre prognóstico de tratamento precoce da Classe III determinada pelo prognatismo mandibular. Felizmente, o componente esquelético maxilar responde melhor à aplicação de forças ortopédicas, já que o crescimento ósseo mostra-se mais susceptível a influências extrínsecas ou ambientais. Deste modo, a Classe III definida pela falta de crescimento da maxila, se privilegia com o tratamento ortopédico. O tratamento da maloclusão de Classe III em adultos é limitado, recai sobre compensações dentárias ou com combinação entre a Ortodontia e a Cirurgia Ortognática, para obtenção de uma oclusão ideal e de uma estética facial agradável.
As modificações dentárias e esqueléticas da correção da Classe III produzem uma melhora no relacionamento entre os dentes, as bases ósseas e os tecidos moles.
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