Além do aumento nos seguros de vida, também cresceram as vendas de seguros de incapacidade temporária, que garante a renda caso o profissional precise se afastar do trabalho por motivo de doença.
A despesa com seguro de vida e outros tipos de seguro ainda não faz parte da cultura dos brasileiros, na análise da corretora.
O advogado e empresário, Adão Noel Mazetto, de 60 anos, faz parte do grupo que faz questão de pagar seguro de vida. Há mais de 10 anos, ele fez um contrato, segundo ele, para que a família não tenha problemas financeiros se ele vir a falecer.
“Fiz (o seguro) para garantir que as pessoas próximas a mim não arquem com problemas financeiros em caso da minha morte. Não que elas vão ficar ricas, mas para que possam ter um respaldo por algum tempo”, afirmou.
Queda no seguro de veículos
Já a contratação de seguro para automóvel, que devido ao alto número de roubos e furtos no estado, é considerado algo quase necessário pelos mato-grossenses. Na pandemia, o número de seguro de veículo caiu, possivelmente devido à crise econômica durante o período.
De janeiro a junho de 2019 foram contratados R$ 270.577.323 em seguro de veículos, no estado, e no mesmo período deste ano caiu para R$ 252.237.815.
A jornalista Angélica Neri, que teve o carro roubado em 2014, está entre as pessoas que fizeram seguro neste ano. “Desde o ocorrido, já troquei de carro três vezes e só retiro da loja depois da vistoria (da seguradora). A gente nunca sabe o que vai acontecer”, afirmou.
Ela conseguiu recuperar os danos caudados pelo roubo porque tinha seguro.
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Caminhonetes são mais roubadas em MT — Foto: Djeferson Kronbauer/ Power Mix
Roubos e furtos de veículos
Em média, 293 carros e motos foram roubados ou furtados no estado, no primeiro semestre.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), foram furtados 997 veículos e 766 roubados.
A maioria dos seguros cobre incêndio, e roubo ou furto qualificado.
Em Mato Grosso, os modelos mais roubados são: Hilux, Strada, Corolla, S-10, Etios, L-200, Voyage, Gol, Uno e Saveiro.
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Policiais guardam a fronteira durante todo o tempo — Foto: Gefron-MT
Rota de veículos roubados
Pela localização geográfica, na fronteira com a Bolívia, Mato Grosso é rota de passagem de veículos roubados para entrar no país vizinho.
O coordenador do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), tenente-coronel Fábio Ricas, explica que os veículos levados para a Bolívia, normalmente, são por encomenda. As caminhonetes são as preferidas dos criminosos.
Determinadas marcas de caminhonete têm maior facilidade de manutenção e reposição de peças, segundo o tenente-coronel.
Ocorre que depois que cruzam a área de fronteira, os policiais brasileiros não têm mais autonomia para atuação e os veículos roubados no Brasil circulam livremente no país vizinho.
“Na Bolívia não se tem notícia de desmanche. Os veículos são levados para ser utilizados em trânsito normal, devido à legislação boliviana permitir a regularização de qualquer veículo estrangeiro, inclusive os de origem de furto, roubo e estelionato”, comentou.
Na avaliação do coordenador do Gefron, o que facilita o trânsito de veículo de origem criminosa para o país vizinho, são as inúmeras vias conhecidas como ‘cabriteiras’: estradas que ficam em propriedades rurais que dão acesso à Bolívia.
Como estão em propriedades privadas, a fiscalização nessas estradas se torna mais difícil.
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É comum abordagens de criminosos com carros roubados na fronteira — Foto: Gefron-MT/Divulgação
Veículos recuperados na fronteira
Apesar do número de roubos e furtos ainda serem alto, o Gefron percebeu um aumento de 40% no número de veículos recuperados quando se deslocavam para a Bolívia.
Nesse cenário, o que chama a atenção dos policiais é o aumento de veículos de locadoras recuperados. O cliente aluga o carro e depois repassa para outra pessoa atravessar para a Bolívia.
“Essa travessia se torna mais fácil para os criminosos, tendo em vista a ausência de queixa de roubo ou furto do veículo locado”, explicou.
Ainda conforme o Gefron, em geral, as locadoras se negam a registrar queixa pela falta do veículo e preferem que, como o carro tem seguro, seja levado para a Bolívia para que a empresa possa receber a apólice.
“Muitas vezes o valor do seguro é maior que o valor do veículo. Os policiais têm dificuldade pois não encontram boletim de ocorrência sobre furtos ou roubos. Como o carro já está muito rodado, as locadoras preferem receber o valor do seguro do que ter o veículo devolvido”, disse.
O número de veículos recuperados na região da faixa de fronteira de Mato Grosso com a Bolívia aumentou de 2019 para 2020. Entre janeiro a agosto de 2019, foram 132 automóveis recuperados. No mesmo período desse ano foram quase 200 recuperados.

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