O Brasil mantém uma tradição diplomática de abrir os discursos da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Desde 1955, o representante brasileiro costuma ser o primeiro a falar no debate geral, antes do pronunciamento dos Estados Unidos, país que sedia a organização, em Nova York.
A prática não está prevista como uma obrigação na Carta da ONU. Ela se consolidou ao longo dos anos como uma convenção diplomática, ligada à disposição brasileira de ocupar o primeiro espaço da sequência de discursos.
A explicação mais conhecida está ligada ao diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, que presidiu sessões importantes da Assembleia Geral em 1947, incluindo debates sobre a divisão da Palestina. Seu papel histórico é frequentemente apontado como uma das razões para a posição brasileira na abertura do evento.
Outra interpretação é que o Brasil se ofereceu para falar primeiro nas primeiras sessões, quando outros países demonstravam pouca disposição para abrir os debates. A prática acabou se consolidando como tradição diplomática. Não há, porém, uma explicação oficial única que determine a origem do costume.
Apesar da tradição, a ordem não é uma regra formal e teve exceções. Em 1983 e 1984, o então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, discursou antes do representante brasileiro.
Em 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a abrir o debate geral da Assembleia Geral, nesta terça-feira, 22 de setembro, em Nova York. Os Estados Unidos discursam tradicionalmente em seguida, enquanto os demais países seguem uma programação definida pela ONU, que considera fatores como o nível de representação e a ordem de inscrição.
Redação Metrô FM Juína
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