Formado por Chaene da Gama (baixo e vocal), Charles Gama (vocal e guitarra) e Rodrigo “Pancho” (bateria), o Black Pantera consolida em ‘Continental’ a fase mais madura e expansiva de sua trajetória. O trabalho amplia a estética pesada apresentada em ‘Ascensão’ (2022) e ‘Perpétuo’ (2024), costurando influências de rap, soul, funk oitentista e ritmos regionais ao hardcore e metal.
O conceito do disco é guiado por uma reflexão geopolítica sobre o Brasil e pela ancestralidade, trazendo depoimentos gravados do geógrafo e pensador Milton Santos (1926-2001). Para dar forma a esse mosaico de som e discurso, o trio de Uberaba reuniu um time de participações que conecta diferentes eras e regiões da cultura brasileira e internacional:
Sandra Sá: Ilumina a faixa “Quando Canto”, celebrando a ancestralidade e a cura pela voz.
Duquesa: Um dos nomes centrais do rap contemporâneo, participa da eletrizante “Serotonina”.
Chico César: Divide a forte “Banzo”, unindo o sotaque paraibano ao mineiro em uma resposta direta à meritocracia.
Derrick Green (Sepultura): Soma peso internacional em “Obsoleto”, faixa que aborda o cenário de polarização social.
O Black Pantera aborda no álbum a imensidão territorial e cultural do país, partindo de vivências pessoais para discutir temas coletivos. Além das colaborações, faixas como “Hórus”, “Negusa Nagast”, “W.P.P.” e “Sic Mundus” mantêm a firmeza da pauta antirracista que marca a trajetória do grupo.
“Continental” (Deck) tem produção de Rafael Ramos, mixagem de Leo Ramos e masterização de Fernando Delgado (à exceção de “Hórus”, masterizada por Chris Gehringer no Sterling Sound). O álbum reforça o papel do Black Pantera como uma das bandas mais expressivas e criativas do rock contemporâneo feito na América Latina.
Entrevista: Como o Black Pantera desafia as fórmulas do rock
O título ‘Continental’ olha para um Brasil formado por múltiplos territórios. O que vocês (re)descobriram sobre a própria identidade ao traduzir essa diversidade em música?
Chaene da Gama: “O álbum ‘Continental’ olha para nós mesmos como indivíduos. Quando abordamos a questão da diáspora, lembramos que carregamos milhares de etnias em uma única pessoa. Para além da imensidão de um continente ou da escala no mapa, cada pessoa vive o país de uma maneira. O Brasil que eu vivencio no interior de Minas Gerais é diferente do cotidiano de quem está no extremo Norte ou em uma capital gigantesca.
O disco vem desse lugar de traduzir nossas vivências, mas de forma ampla. É um trabalho plural e diverso de maneira magistral: tem groove, rap, soul, rock, blues, metal, hardcore e punk funcionando juntos. É assim que vivemos, ouvimos música e respiramos nossa arte.”
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