A Febre do Nilo Ocidental (FNO) voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde brasileiras após a confirmação de quatro casos humanos no país em agosto de 2026. Foram registrados dois casos em São Paulo e dois em Santa Catarina. Em Santa Catarina, uma mulher de 77 anos morreu após desenvolver complicações neurológicas. O Ministério da Saúde também acompanha um caso considerado provável no Piauí.
A doença é causada pelo vírus do Nilo Ocidental, um arbovírus da mesma família de outros vírus conhecidos no Brasil, como dengue e zika. A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos infectados, especialmente do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo.
O ciclo natural do vírus envolve principalmente aves silvestres e mosquitos. O mosquito se infecta ao picar uma ave contaminada e, posteriormente, pode transmitir o vírus ao picar outros animais ou seres humanos.
Os seres humanos e os cavalos são considerados hospedeiros acidentais. Em geral, a quantidade de vírus presente no sangue de uma pessoa infectada não é suficiente para que outro mosquito adquira o vírus ao picá-la.
A transmissão diretamente de uma pessoa para outra é considerada rara, mas pode ocorrer em situações específicas, como transfusão de sangue, transplante de órgãos e, em determinadas circunstâncias, da mãe para o bebê.
A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Aproximadamente 20% podem desenvolver uma doença febril, com sintomas como:
Em uma parcela muito pequena dos casos, a infecção pode atingir o sistema nervoso e provocar manifestações graves, como encefalite e meningite. Nesses casos, podem aparecer confusão mental, tremores, fraqueza muscular, convulsões e outros sintomas neurológicos.
Pessoas mais velhas e indivíduos com imunidade comprometida apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença.
O vírus não é novo no território brasileiro. O primeiro caso humano foi identificado no país em 2014, no Piauí. Desde então, registros e evidências de circulação do vírus foram identificados em diferentes regiões. Um levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical aponta 110 casos humanos prováveis ou confirmados em 13 estados entre 2014 e 2024.
A novidade em 2026 é a confirmação de casos humanos em São Paulo e Santa Catarina.
Em São Paulo, os dois primeiros casos do estado envolvem uma mulher de 34 anos, de Ribeirão Preto, que se recuperou, e uma jovem de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanece sob cuidados médicos.
Já Santa Catarina confirmou dois casos. Uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, morreu em 8 de agosto após apresentar manifestações neurológicas. Um homem de 56 anos, de Caçador, foi infectado e recebeu alta.
Atualmente, não existe vacina disponível para prevenir a Febre do Nilo Ocidental em seres humanos nem tratamento antiviral específico.
O atendimento depende dos sintomas apresentados pelo paciente. Nos casos leves, são adotados cuidados de suporte. Já pacientes que desenvolvem complicações neurológicas podem precisar de internação e acompanhamento hospitalar.
Como a transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos, as medidas de prevenção estão concentradas no combate ao vetor e na proteção individual.
Entre as principais recomendações estão:
A ocorrência de aves ou cavalos mortos com sinais neurológicos também pode ser um indicativo importante para a vigilância sanitária e deve ser comunicada às autoridades responsáveis, sem que a população tente manipular os animais.
Apesar dos novos casos, os dados disponíveis não indicam que a Febre do Nilo Ocidental esteja se espalhando de forma ampla entre pessoas no Brasil. A principal preocupação das autoridades é identificar rapidamente áreas onde o vírus possa estar circulando entre mosquitos e aves, fortalecendo a vigilância epidemiológica.
O Ministério da Saúde acompanha os registros e orienta estados e municípios a intensificarem a investigação de casos suspeitos e a vigilância de animais e vetores.
A principal recomendação para a população continua sendo a prevenção contra picadas de mosquitos e a procura por atendimento médico diante de sintomas compatíveis, especialmente quando houver febre acompanhada de sinais neurológicos.
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