Brasil e Estados Unidos vão retomar oficialmente as negociações sobre o chamado “tarifaço” na próxima segunda-feira, 31 de agosto. A reunião será realizada de forma virtual e ocorre poucos dias depois de uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
O encontro reunirá o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Um representante do Itamaraty também deverá participar das discussões.
A retomada das negociações foi articulada depois de uma ligação entre Lula e Trump realizada na última sexta-feira (21). A conversa durou cerca de 1 hora e 20 minutos e, segundo o governo brasileiro, ocorreu em tom cordial.
Durante o telefonema, Lula defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para impor as novas tarifas são infundadas. Trump, por sua vez, indicou a necessidade de que representantes dos dois governos voltassem a conversar.
Pouco depois da conversa entre os presidentes, Jamieson Greer entrou em contato com o governo brasileiro para organizar uma nova rodada de negociações.
Um dos principais pontos da negociação será a revisão das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
As medidas anunciadas pelo governo norte-americano fizeram com que, em determinados produtos, a cobrança chegasse a 37,5%, resultado da combinação de tarifas diferentes. Washington apresentou justificativas relacionadas a questões comerciais, ambientais, propriedade intelectual e alegações envolvendo trabalho forçado, entre outros pontos.
O governo brasileiro contesta as justificativas e considera as medidas prejudiciais ao comércio entre os dois países.
Entre os objetivos brasileiros nas negociações está a tentativa de ampliar a lista de produtos que ficam fora das tarifas adicionais.
A estratégia é buscar uma solução negociada que reduza os impactos sobre empresas brasileiras que dependem do mercado norte-americano para exportar seus produtos.
Apesar da retomada do diálogo, integrantes do governo não esperam necessariamente uma solução imediata para o impasse. A reunião de segunda-feira deve servir principalmente para reabrir o canal formal de negociação entre os dois países.
As tarifas preocupam setores da economia brasileira que possuem forte participação no mercado dos Estados Unidos. Produtos brasileiros exportados para o país norte-americano podem ficar mais caros, reduzindo a competitividade das empresas e afetando contratos e volumes de exportação.
Por isso, o governo brasileiro vem tentando negociar exceções e alternativas enquanto avalia medidas para proteger os setores mais afetados.
A retomada das conversas representa, portanto, uma tentativa de evitar que a disputa comercial se transforme em um conflito ainda maior entre os dois países.
A reunião marcada para 31 de agosto não contará, inicialmente, com Lula e Trump. O objetivo é que as equipes técnicas e comerciais avancem nas discussões e apresentem alternativas para o impasse.
A expectativa agora é que o encontro permita identificar pontos de convergência e abra caminho para novas reuniões entre Brasil e Estados Unidos.
A conversa entre os presidentes e a reunião da próxima semana representam uma nova tentativa de negociação após semanas de tensão comercial, com o Brasil buscando reduzir os impactos das tarifas sobre seus produtos exportados aos Estados Unidos.
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