O elevado nível de endividamento das famílias brasileiras começa a aparecer como um dos principais riscos para o crescimento da economia nos próximos anos. Em julho, 82% das famílias estavam endividadas, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio, a CNC.
O problema é agravado pelos juros ainda elevados, que aumentam o custo dos empréstimos e fazem uma parcela maior da renda das famílias ser destinada ao pagamento de dívidas.
Segundo análise do BTG Pactual citada pelo NeoFeed, o processo de desalavancagem das famílias, ou seja, a tentativa de reduzir as dívidas, pode trazer alívio financeiro para os consumidores, mas também diminuir o dinheiro disponível para compras e serviços.
O consumo das famílias é um dos motores da economia brasileira. Quando as pessoas precisam direcionar mais renda para pagar parcelas, cartões e empréstimos, sobra menos dinheiro para o comércio e para os serviços.
Esse movimento já começa a aparecer nos resultados do varejo. Empresas do setor vêm relatando dificuldades diante da combinação de crédito caro, consumo mais fraco e aumento do endividamento.
O BTG projeta crescimento de 2% para o PIB brasileiro em 2026, mas reduziu a perspectiva para 1,1% em 2027, apontando o crédito e o endividamento das famílias como fatores importantes para a desaceleração.
O cenário preocupa porque a redução das dívidas pode acontecer justamente em um momento em que a economia já enfrenta juros altos e menor ritmo de expansão da renda.
Em uma das simulações do BTG, caso o crescimento da renda seja fraco e fique próximo de zero em 2027, o consumo poderia recuar 0,4%. Em um cenário mais severo de queda da renda, a retração do consumo poderia chegar a 2,2%.
Isso cria um efeito em cadeia: menos crédito → menos consumo → menor atividade econômica → menor faturamento das empresas → menor arrecadação.
Por isso, o elevado endividamento não significa necessariamente que o Brasil esteja caminhando para uma recessão. Mas representa um freio importante para o crescimento, principalmente se os juros permanecerem altos e a renda das famílias perder força.
A avaliação dos especialistas é que a evolução do crédito, da inadimplência, da renda e dos juros será decisiva para determinar o ritmo da economia brasileira em 2027.
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