As ações do Banco do Brasil caíram forte mesmo depois de o banco divulgar um lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O principal motivo está menos no lucro atual e mais nas perspectivas para o crédito.
O mercado ficou preocupado com a piora da qualidade da carteira de empréstimos, especialmente no agronegócio. A inadimplência do setor rural chegou a 6,27%, mantendo uma sequência de alta pelo 12º trimestre. Entre pessoas físicas, também houve aumento da inadimplência, que chegou a 8,4%.
Outro ponto de atenção foi o aumento do custo do crédito, que cresceu 16,1% em um ano. Ao mesmo tempo, o índice de cobertura da inadimplência caiu de 183,2% para 148,5%. Na prática, isso indica que o banco está precisando lidar com uma carteira de crédito mais arriscada e com menor margem de proteção contra eventuais perdas futuras.
O Banco do Brasil tem forte participação no financiamento do agronegócio brasileiro. Com produtores enfrentando dificuldades financeiras e maior necessidade de renegociação de dívidas, investidores temem que o banco precise aumentar as provisões para cobrir possíveis calotes.
O BB informou que já realizou R$ 31 bilhões em renegociações e recuperou cerca de R$ 2 bilhões em créditos em julho. Ainda assim, analistas avaliam que a recuperação da carteira rural pode ser lenta.
O mercado de ações olha principalmente para o futuro. Portanto, mesmo que o banco tenha apresentado um lucro bilionário, os investidores podem vender as ações se acreditarem que os próximos resultados serão pressionados por inadimplência, provisões e menor crescimento do crédito.
Além dos problemas específicos do BB, o banco também está sendo afetado por um ambiente negativo na Bolsa brasileira. Em agosto, investidores estrangeiros retiraram bilhões de reais do mercado brasileiro, enquanto preocupações fiscais e a tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos aumentaram a aversão ao risco.
Em resumo: o Banco do Brasil continua lucrativo, mas o mercado está preocupado com quanto desse lucro será sustentável diante do aumento da inadimplência e do risco no crédito rural. É essa expectativa para os próximos meses que ajuda a explicar a forte queda das ações.
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