O dólar comercial fechou esta sexta-feira, 14 de agosto, em R$ 5,219, alta de 0,52%, após atingir R$ 5,248 durante o pregão. Foi o quinto dia consecutivo de valorização da moeda norte-americana diante do real.
A alta ocorre em meio à saída de recursos estrangeiros da Bolsa e ao aumento das incertezas econômicas. Entre os fatores acompanhados pelos investidores estão as expectativas sobre os juros nos Estados Unidos, as preocupações com a trajetória da dívida pública brasileira e a tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos.
O mercado também reagiu ao início do processo de reciprocidade econômica aberto pelo governo brasileiro contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos. A Camex começou a analisar as medidas norte-americanas, enquanto o Itamaraty deverá notificar oficialmente Washington e iniciar consultas diplomáticas.
Na Bolsa, o impacto foi negativo. O Ibovespa caiu 1,19%, aos 165.307 pontos, registrando a nona sessão consecutiva de perdas. O movimento aumenta a preocupação dos investidores com empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos ou dependem de produtos e insumos norte-americanos.
Dados citados pelo mercado mostram que o fluxo de investimentos estrangeiros na Bolsa ficou negativo em mais de R$ 11 bilhões somente em agosto, reduzindo o saldo positivo acumulado no ano.
Outro fator de preocupação é o comércio exterior. Segundo levantamento da Amcham Brasil, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 12% neste ano, enquanto o déficit comercial brasileiro com os norte-americanos chegou a US$ 2,3 bilhões.
A avaliação dos especialistas é que o impacto da reciprocidade ainda dependerá dos próximos passos do governo. Caso as negociações avancem, o mercado poderá reagir positivamente. Por outro lado, uma escalada da disputa comercial, com novas tarifas e retaliações, pode aumentar a pressão sobre o câmbio e sobre empresas expostas ao mercado norte-americano.
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