A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quinta-feira (26), a Operação Tartufo, com o objetivo de desarticular uma facção criminosa que atuava na entrada clandestina de aparelhos celulares em unidades prisionais do estado e na comercialização ilegal de armas de fogo.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados judiciais, sendo três de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão domiciliar, em endereços localizados nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.
A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), teve início em 2023 e, segundo a autoridade policial, contou com uso intensivo de tecnologia, análise de dados e trabalho de inteligência para mapear a atuação da organização criminosa.
De acordo com o delegado Marcelo Miranda Muniz, responsável pelo caso, o grupo tinha uma estrutura bem definida e atuava de forma oculta, utilizando veículos com compartimentos secretos e sistemas tecnológicos para driblar a fiscalização.
A investigação apontou que o principal alvo da Tartufo exercia papel central na coordenação das atividades criminosas, sendo responsável pela logística de entrada clandestina de celulares e pelo comércio ilegal de armamentos, incluindo pistolas e espingardas.
Especialistas da Denarc também identificaram o uso de um drone não registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), equipado com garra, usado em dezenas de voos sobre unidades prisionais como a Penitenciária Central do Estado (PCE) e a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto — momentos antes de apreensões de ilícitos nas unidades.
Durante as diligências, a Polícia Civil apurou que os membros da facção tinham funções específicas dentro do esquema:
Um integrante era responsável por transportar e ocultar os aparelhos eletrônicos;
Outro, já recluso em unidade prisional, exercia liderança e controle sobre a distribuição dos celulares entre detentos, ampliando o alcance das ações ilícitas.
Segundo a autoridade policial, as investigações continuam em andamento. O foco agora é aprofundar a análise sobre o fluxo de armas e recursos financeiros do grupo, além de mapear possíveis conexões com outras quadrilhas criminosas.
A operação — cujo nome “Tartufo” vem do italiano e pode ser traduzido como aquele que fica escondido sob a terra — reflete a estratégia da corporação de combater com precisão grupos que atuam de forma velada e silenciosa, mas com impacto direto na segurança do sistema prisional e da sociedade.
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