A história que envolve a chamada “Santa Doroteia de Lageado Paca” começou na zona rural de Erechim, na década de 1940. A agricultora Dorotéia Menegon Farina se tornou conhecida por relatos de aparições de Nossa Senhora e por fenômenos religiosos que mobilizam fiéis até hoje.
A doença, a morte e a “ressurreição”
Segundo relatos históricos e religiosos, Dorotéia ficou gravemente doente, vítima de câncer, e chegou a ser dada como morta por médicos e um padre. O velório foi realizado durante toda a noite. No dia seguinte, pouco antes do sepultamento, ela teria retornado à vida, fato considerado milagroso pelos devotos.
Após a recuperação, sua vida passou a ser marcada por intensa religiosidade, orações e relatos de experiências místicas.
Aparições e promessa de sofrimento
Em 1944, Dorotéia relatou ter visto um clarão enquanto lavava roupas, afirmando que ali começaram as aparições de Nossa Senhora da Santa Cruz. A partir daí, o local passou a receber peregrinos e curiosos. 
Segundo a tradição religiosa local, Dorotéia teria feito uma promessa: aceitar sofrimentos físicos e espirituais durante toda a vida caso fosse curada da doença grave que enfrentava.
As chagas na Quaresma
Um dos relatos mais marcantes envolve os chamados estigmas — feridas semelhantes às de Jesus Cristo.
De acordo com testemunhos preservados pela tradição religiosa, durante a Quaresma Dorotéia ficava acamada e apresentava as cinco chagas de Cristo. Na Sexta-feira Santa, as feridas sangravam intensamente, e no Domingo de Páscoa ela voltava a ficar bem, como se nada tivesse acontecido.
Esses episódios fortaleceram a devoção popular e atraíram ainda mais fiéis ao local.
Perseguições e desconfiança
Os relatos de visões e milagres não foram aceitos por todos. As aparições e a devoção popular enfrentaram forte resistência e foram alvo de críticas e tentativas de silenciamento por autoridades religiosas da época.
Segundo registros religiosos e relatos de fiéis, o fenômeno foi visto com desconfiança e teria sido “duramente perseguido e abafado”, o que gerou anos de conflitos e incompreensão.
Mesmo diante das críticas, a devoção continuou crescendo entre moradores e peregrinos.
A morte e o nascimento do santuário
Dorotéia morreu em 1988, aos 76 anos. Antes de falecer, pediu que fosse construído um santuário no local das aparições.
Após sua morte, a comunidade ergueu o Santuário Nossa Senhora da Santa Cruz, que hoje recebe milhares de visitantes todos os anos e se tornou um dos principais pontos de turismo religioso da região.
Atualmente, romarias e celebrações mantêm viva a memória de Dorotéia, considerada por muitos fiéis como uma santa popular brasileira.
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