Uma reunião realizada na tarde de terça-feira (20) na Câmara Municipal de Juína levantou cobranças e críticas fortes de vereadores, pacientes e familiares sobre o andamento da implantação do tão aguardado Centro de Hemodiálise no município.
O encontro contou com a presença do Promotor de Justiça Cível, Dannilo Preti Vieira, e de membros do Legislativo, mas foi marcado pela ausência de representantes do poder Executivo incluindo o prefeito Paulo Veronese e a secretária municipal de Saúde, Marcela Américo Ortolan — o que gerou insatisfação entre os participantes.
Durante o debate, o promotor destacou que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com a Prefeitura estabelece um prazo até setembro para que o serviço de hemodiálise seja implementado, seja por meio da contratação de empresa especializada ou pela gestão direta da administração municipal. Mesmo assim, ele ressaltou a necessidade de ações imediatas para amenizar o sofrimento dos pacientes que hoje precisam se deslocar regularmente para outras cidades, como Tangará da Serra, enfrentando dificuldades com transporte e alimentação.
O vereador Aelcio Moreira de Oliveira lamentou a falta de representantes do Executivo e classificou a situação como descaso com a saúde da população, lembrando que tanto o município quanto o Estado dispõem de recursos que poderiam ser melhor alocados para resolver o problema. Mais ainda, ele sugeriu que a Câmara poderia instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) caso documentos e provas indiquem negligência.
Outro parlamentar, Carlito Pereira da Rocha, frisou que deixou a reunião sentindo-se com “sensação de não dever cumprido”, criticando a ausência da gestão municipal em um momento considerado crucial na definição dos próximos passos. Ele também relembrou que os equipamentos para o serviço de hemodiálise foram entregues em gestões anteriores e ainda não foram colocados em uso.
Carlito também citou uma mudança recente nas normas do Ministério da Saúde, que flexibilizou a exigência de população mínima para habilitação do serviço, o que poderia facilitar a implementação do centro em Juína ou na região.
Familiares de pacientes levaram relatos emocionantes ao debate, ressaltando o desgaste físico, emocional e financeiro causado pelas longas viagens para realizar tratamentos, além da precariedade do transporte atual — uma van escolar inadequada para a necessidade dos pacientes.
Um dos depoimentos apontou que a luta pela instalação de um centro de hemodiálise em Juína já dura mais de cinco anos, e que as promessas feitas ao longo desse período ainda não trouxeram soluções efetivas.
Apesar das críticas, há expectativa de que uma nova reunião seja convocada com a presença de autoridades do Estado e do Executivo municipal para tentar alinhar um cronograma efetivo e retomar o diálogo institucional sobre o projeto, considerado essencial para a saúde pública local.
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