O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (3/12) durante a Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. Ele é suspeito de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun, investigação que mira a cúpula do Comando Vermelho (CV) e possíveis conexões da facção com agentes públicos.
A prisão, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), representa um novo capítulo na série de investigações que revelam a infiltração de organizações criminosas em estruturas do poder público no Rio de Janeiro.
Segundo a Polícia Federal, Bacellar teria informado antecipadamente detalhes da Operação Zargun a outros investigados, o que comprometeu a efetividade da ofensiva policial contra integrantes do Comando Vermelho e políticos supostamente associados à facção.
As informações vazadas incluem:
datas previstas das ações,
possíveis alvos de busca,
medidas cautelares,
e movimentações da PF no curso da investigação.
De acordo com os investigadores, o vazamento teria permitido ajustes de conduta por parte dos investigados, além de potenciais manobras para ocultação de bens e documentos.
A Operação Zargun, deflagrada ainda em 2025, investiga uma rede criminosa formada por:
traficantes ligados ao Comando Vermelho,
servidores públicos,
políticos com mandato,
além de intermediários financeiros.
A fase mais recente da Zargun resultou em:
18 prisões,
22 mandados de busca e apreensão,
e bloqueio judicial de R$ 40 milhões em bens, entre imóveis, veículos e contas bancárias.
Um dos nomes mais conhecidos entre os alvos anteriores é o deputado estadual TH Joias, preso no mês de setembro pela PF.
A prisão de Bacellar marca o início da Operação Unha e Carne, considerada uma derivação direta da Zargun. Nesta etapa, foram expedidos:
1 mandado de prisão preventiva (cumprido contra Bacellar),
8 mandados de busca e apreensão,
1 mandado de intimação para medidas cautelares.
As ordens judiciais foram todas emitidas pelo STF, diante da prerrogativa de foro do presidente da Alerj.
A PF afirma que há “fortes indícios de cooperação intencional” entre o parlamentar e investigados ligados ao Comando Vermelho, o que deu título à operação.
O Ministério Público Federal destacou que o caso é “extremamente grave” por envolver uma figura central do Legislativo fluminense.
Fontes da investigação disseram que o vazamento representou uma quebra de confiança institucional sem precedentes, pois poderia ter colocado em risco a vida de agentes envolvidos nas ações.
A defesa de Rodrigo Bacellar afirmou que o deputado é inocente e que a prisão é “desproporcional”, prometendo recorrer ao STF para revogar a medida.
A prisão do presidente da Alerj gera um abalo significativo no cenário político do Rio. Entre os efeitos imediatos, estão:
instabilidade na liderança do Legislativo estadual,
abertura de discussões sobre possível afastamento do cargo,
expectativa de novas fases da operação, que podem atingir outras autoridades,
e repercussões no União Brasil, partido de Bacellar.
Nos bastidores, parlamentares já discutem quem deverá assumir interinamente o comando da Casa até que a situação jurídica do deputado seja definida.
O caso ganhou destaque em todo o país por envolver:
uma das maiores facções criminosas brasileiras,
suspeita de cooptação de agentes públicos,
e um presidente de Assembleia Legislativa — cargo de grande relevância na estrutura republicana.
Analistas afirmam que o episódio pode reforçar a necessidade de blindagem institucional e de mecanismos de controle mais rigorosos no combate ao crime organizado.
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