Autoridades dos Estados Unidos e da Rússia se encontraram em Abu Dhabi para tratar de uma proposta de paz para a Ucrânia, em movimentação diplomática de alto risco que busca frear o conflito que assola a Europa desde 2022.
Liderando a delegação norte-americana, está o secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, segundo veiculado pela CBS e CNN. O encontro teve início na noite de segunda-feira (24) e deve se estender até esta terça-feira (25), com as negociações centradas em um plano de paz ambicioso.
O documento em discussão contém 28 pontos, segundo o Metrópoles, e prevê concessões sensíveis por parte da Ucrânia incluindo o reconhecimento de territórios sob controle russo. A proposta sugere que a Crimeia, Donetsk e Lugansk sejam reconhecidas formalmente como russas, enquanto regiões como Kherson e Zaporíjia ficariam sob um status “congelado”, sem serem totalmente russas nem completamente ucranianas.
Um dos mecanismos mais controversos do plano é o chamado “arrendamento territorial”: a Rússia administraria certas áreas ocupadas, mas pagaria à Ucrânia pela administração, e manteria autoridade militar nessas regiões.
Além disso, o plano propõe uma redução do poder militar ucraniano: o exército seria limitado a cerca de 600 mil soldados, armas de longo alcance seriam eliminadas e não haveria presença militar estrangeira no país. Também está previsto que a Constituição da Ucrânia inclua uma cláusula para que o país jamais adira à OTAN.
No âmbito político e social, a proposta prevê que o idioma russo passe a ser oficial na Ucrânia, e que programas educacionais conjuntos combatam “ideologias nazistas, racismo e preconceito”. Seriam convocadas eleições nacionais em até 100 dias a partir de um eventual acordo, e haveria anistia total para todos os envolvidos nas hostilidades, tanto russos quanto ucranianos.
A proposta representa um grande risco para a Ucrânia, segundo analistas: aceitar significativas concessões territoriais pode enfraquecer sua soberania, mas rejeitar o plano também pode significar perder o apoio de Washington.
Do lado russo, a oferta é vista como uma oportunidade de obter reconhecimento formal para territórios já anexados, consolidando ganhos conquistados no campo de batalha.
A escolha de Abu Dhabi como palco para as negociações não é casual. Os Emirados Árabes têm se posicionado como mediadores-chave e já serviram como ponte diplomática em temas sensíveis envolvendo Kiev e Moscou. Além disso, é visto como um território “neutro” e estratégico para esse tipo de diálogo.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky enfrenta um dilema histórico: ceder parte de seu território pode enfraquecer a posição do país no futuro, mas a continuação do conflito também representa enorme custo humano e material. Alguns membros do governo ucraniano teriam defendido que a suposta visita de Zelensky a Washington nesta semana pode estar relacionada aos pontos mais sensíveis da proposta.
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