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NOTÍCIA

LISTA DE MORTOS EM MEGAOPERAÇÃO NO RJ EXPOE AÇÃO NACIONAL DO COMANDO VERMELHO

Data: Segunda-feira, 03/11/2025 10:27
Por: Beatriz Rodrigues / METRO FM

 

A operação conjunta das polícias civil e militar no estado do Rio de Janeiro, realizada em 28 de outubro nos complexos da Complexo da Penha e da Complexo do Alemão com o objetivo declarado de atingir o núcleo de comando da facção Comando Vermelho mudou o panorama da segurança pública no estado.

Segundo balanço oficial, a ação resultou em 121 mortos, sendo 117 classificados como criminosos e quatro agentes de segurança.
Até domingo (2/11), tinham sido identificados 115 nomes. O perfil revela dados que chamam atenção:

78 das pessoas tinham histórico criminal relevante, com passagens por homicídio, tráfico e porte de armas de guerra. 

42 possuíam mandados de prisão em aberto. 

40 eram oriundos de outros estados, enviados ao Rio como reforço para atuação da facção. 

Entre os mortos, há jovens adolescentes — nascidos em 2006 e 2007 — sem condenações formais, porém apontados como integrantes das redes de tráfico.

A reportagem aponta que integrantes da facção com atuação em diversos estados foram eliminados ou capturados no Rio. Entre os nomes citados:

“Rodinha”, do estado de Goiás, como liderança do Comando Vermelho em Itaberaí. “Mazola”, da Bahia — articulador de tráfico em Feira de Santana.

“Gringo”, do Amazonas — vinculado ao comando no Norte, em exportação de armamentos.

“Fernando Henrique”, de Goiás — condenado por homicídios. 

Essa dispersão demonstra que o Rio de Janeiro funciona como “QG” para a facção, para onde criminosos de outros estados migrariam em busca de ascensão e treinamento — “Marginais de outros estados vêm para cá receber treinamento e voltar para suas cidades levando tática de guerrilha”, declarou o delegado Felipe Curi.

Apesar do intenso golpe sofrido pela facção, o principal nome no Rio — Edgard Alves de Andrade, conhecido como “Doca” — não foi localizado. Ele é acusado de ordenar execuções brutais, como as dos adolescentes em Belford Roxo. 
A polícia prepara agora um dossiê completo sobre os mortos, com análise das conexões interestaduais da facção, considerada hoje a mais disseminada do país, com presença em 25 estados e no Distrito Federal.

A operação envia uma mensagem forte: que a ação policial pode romper com o mito de autonomia local das facções e demonstrar que há coordenação em rede nacional.

Por outro lado, o recrutamento precoce de adolescentes e a entrada de criminosos de outros estados apontam para uma escalada coordenada, o que exigirá resposta estratégica não apenas local, mas também federal e interestadual.

A não localização de “Doca” reforça o desafio contínuo: apesar das baixas, os escalões superiores da facção mantêm mobilidade, redes de proteção e potencial de retaliação.

A operação nos complexos da Penha e do Alemão representa um ponto de inflexão: ao expor a estrutura interestadual da facção Comando Vermelho, ela revela que o problema da segurança pública fluminense  e brasileira  não é apenas territorial, mas organizado em rede. O desafio agora será transformar essa descoberta em estratégia policial eficaz, sustentada, e não apenas pontual.