Uma operação conjunta entre a Polícia Civil de Mato Grosso e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (2 de outubro de 2025), com o objetivo de reprimir atos de apologia ao nazismo. A ação, batizada de Operação Encômio, envolveu mandados de busca e apreensão e requisições de acesso a dados telemáticos.
A iniciativa teve início após a Abin identificar indícios de atividades criminosas nas redes digitais, envolvendo divulgação de discursos neonazistas e vinculação a grupos extremistas. Com base nessas informações, foi acionada a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) da Polícia Civil, em colaboração com a Gerência de Inteligência Cibernética da instituição.
Durante a apuração, os investigadores identificaram um morador de Várzea Grande (MT) como suspeito de integrar os grupos extremistas e de espalhar conteúdo ideológico neonazista por meio de aplicativos de mensagens.
Os indícios apurados foram levados à 2ª Vara Criminal de Várzea Grande, que autorizou os mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal, bem como o acesso a dispositivos eletrônicos e contas em nuvem do investigado.
Durante a execução da Operação Encômio, foram cumpridas diligências para apreensão de materiais digitais e documentos que possam fornecer evidências da atuação criminosa no ambiente virtual.
O delegado titular da DRCI, Guilherme Berto Nascimento Fachinelli, enfatizou que a integração entre órgãos de segurança e inteligência é crucial para enfrentar crimes relacionados ao ódio e ao extremismo. Segundo ele, a cooperação entre instituições fortalece a resposta do Estado diante de ameaças à ordem democrática.
Também o superintendente da Abin em Mato Grosso, Felipe Midon, falou sobre os riscos de radicalização digital: segundo sua avaliação, indivíduos alinhados à ideologia neonazista não apenas divulgam conteúdos de incitação, mas podem recrutar novos adeptos e manifestar disposição para agir violentamente em nome desse ideal.
A legislação brasileira prevê pena para quem faz propaganda de ideologias que incentivem discriminação ou violência, como o nazismo. O artigo 20 da Lei nº 7.716/1989 criminaliza a “publicidade de fato descrito como crime” contra grupos identificáveis por raça, cor, religião ou etnia, o que inclui a apologia ao nazismo.
Com base nesse dispositivo, o investigado poderá responder criminalmente por incitação ao ódio, propagação de ideologia extremista e demais crimes correlatos conforme se comprovar no curso das investigações.
A polícia reforçou que denúncias anônimas sobre manifestações de discriminação ou apologia ao nazismo podem ser feitas por meio do número 197, canal da Polícia Civil. A colaboração da sociedade é considerada peça-chave para o mapeamento de grupos radicais que atuam nas redes digitais.
A escolha do nome “Encômio” — que significa discurso de elogio ou louvor — reflete exatamente o tipo de conduta contra a qual a operação se volta: indivíduos que exaltam o nazismo por meio de conteúdos digitais.
Rastreio digital: investigar conteúdos em aplicativos de mensagem e criptografia sempre é um desafio técnico e legal, exigindo expertise e garantias judiciais.
Ação preventiva: a operação reforça a necessidade de monitoramento contínuo de discursos de ódio e a atenção a sinais de radicalização online.
Sociedade e educação: além da repressão, especialistas costumam apontar que medidas educativas são essenciais para combater o enraizamento de ideologias extremistas.
A Operação Encômio sinaliza a disposição do Estado em enfrentar a radicalização ideológica no ambiente virtual, especialmente em regiões onde a fiscalização costuma ser menos presente. Se ficar comprovada a responsabilização, o caso poderá gerar repercussão ampla sobre os limites da liberdade de expressão e o combate ao extremismo no Brasil.
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