A partir desta quarta-feira (1º de outubro de 2025), os brasileiros passam a contar com um novo recurso no sistema de pagamentos instantâneos: o botão de contestação do Pix. A ferramenta, lançada pelo Banco Central (BC), promete agilizar a devolução de valores em casos de fraudes, golpes e transferências feitas sob coação, reforçando a segurança de um meio de pagamento que já é utilizado por mais de 160 milhões de pessoas no país.
O novo recurso aparece diretamente no aplicativo do banco ou instituição financeira do usuário. Quando o cliente identificar uma transação suspeita, basta acionar o botão para iniciar um processo formal de contestação.
A partir daí:
Envio do pedido: o banco do pagador envia imediatamente a solicitação para a instituição que recebeu o dinheiro.
Bloqueio imediato: caso haja saldo na conta do recebedor, o valor é bloqueado total ou parcialmente, impedindo que seja transferido rapidamente para outras contas.
Prazo de análise: as instituições financeiras envolvidas têm até sete dias para avaliar o caso.
Devolução: se confirmada a fraude, o dinheiro volta à conta do cliente em até onze dias corridos após o acionamento do botão.
De acordo com o Banco Central, o objetivo é criar uma resposta rápida contra criminosos, aumentando as chances de recuperação dos valores antes que sejam dissipados em esquemas de lavagem ou saques sucessivos.
Apesar da inovação, o botão não cobre todas as situações de erro ou arrependimento.
Casos em que o recurso pode ser usado:
Transferências feitas sob ameaça (sequestro-relâmpago ou coação).
Golpes em que o usuário é induzido a enviar dinheiro para contas falsas.
Fraudes eletrônicas comprovadas.
Casos em que o recurso NÃO se aplica:
Digitação incorreta da chave Pix.
Envio de dinheiro por engano para a pessoa errada.
Arrependimento de compra ou briga comercial.
Disputas entre compradores e vendedores de boa-fé.
O botão de contestação é, na prática, uma versão aprimorada do Mecanismo Especial de Devolução (MED), em vigor desde 2021. Até agora, o MED só permitia bloqueios e devoluções a partir da conta que recebeu o valor suspeito. Isso abriu brechas para criminosos, que transferiam imediatamente os recursos para outras contas, dificultando a recuperação.
Com a atualização, o BC permitirá, a partir de 23 de novembro, que as devoluções sejam feitas também a partir de outras contas ligadas ao fraudador. Essa medida será obrigatória a partir de fevereiro de 2026, aumentando a efetividade do combate aos golpes.
Segundo Breno Lobo, chefe adjunto do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do BC, o botão deve tornar o processo mais simples e acessível ao usuário comum:
“Antes, era necessário procurar a instituição e abrir uma contestação manualmente. Agora, com o autoatendimento, a resposta é muito mais rápida e transparente, aumentando as chances de bloqueio dos valores”, afirmou.
Especialistas do setor avaliam que a medida traz mais confiança ao Pix, mas ressaltam que o recurso não elimina a necessidade de cautela. Como os golpistas atuam de forma cada vez mais sofisticada, a recomendação é que os usuários acionem a contestação imediatamente ao identificar qualquer movimentação suspeita.
Desde que foi lançado em novembro de 2020, o Pix revolucionou os meios de pagamento no Brasil, movimentando trilhões de reais anualmente. No entanto, a praticidade também abriu espaço para a ação de golpistas.
Dados do BC apontam que milhares de ocorrências de fraude são registradas todos os meses, especialmente envolvendo engenharia social — quando criminosos enganam a vítima para que ela mesma faça a transferência.
Com o botão de contestação, o Banco Central espera reduzir os prejuízos, aumentar a rastreabilidade das operações e desestimular o uso de contas laranjas para golpes.
Mais rapidez: o cliente não precisará mais ligar ou ir até a agência para contestar — tudo será feito pelo app.
Mais chances de recuperar valores: o bloqueio imediato amplia as possibilidades de reaver o dinheiro antes que ele seja transferido para outras contas.
Maior transparência: os prazos de análise e devolução ficam claros para o consumidor.
A chegada do botão de contestação representa um avanço importante na segurança do Pix e deve beneficiar milhões de usuários que já consideram o sistema indispensável no dia a dia. Ainda assim, especialistas lembram que a educação financeira e o cuidado individual continuam sendo fundamentais para evitar cair em golpes.
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