Um sítio localizado no município de Aripuanã tem mostrado resultados promissores na agricultura familiar: em apenas um hectare, foram cultivados 1.111 pés de cacau, no Sítio Estrela Seleste. A iniciativa conta com o apoio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar de Mato Grosso (Seaf-MT), do Programa REM Mato Grosso (REDD Early Movers) e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).
Morador da propriedade desde a infância, Marcos dos Santos comprou o sítio dos pais há cerca de oito anos, movido pelo desejo de manter suas raízes no campo e construir ali sua família ao lado da esposa, Aline Gomes. Durante os primeiros anos, enfrentou sérias dificuldades: sem financiamento ou estrutura, chegou a realizar trabalhos para vizinhos para sobreviver.
Foi só quando foi contemplado pelo Programa REM, com apoio da Seaf e assistência técnica da Empaer, que o produtor recebeu R$ 50 mil para investir em infraestrutura, irrigação, preparo do solo e aquisição de mudas.
A cultura principal é o cacau, com variedades recomendadas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), adaptadas para o regime da agricultura familiar e de condução mais prática.
Para proteger as mudas no início de seu crescimento, foi utilizado o plantio intercalado com banana, que funciona como sombreamento temporário até que o cacau esteja forte o bastante para sol pleno.
A assistência técnica da Empaer acompanha todo o processo: preparo do solo, plantio, irrigação, monitoramento, até as etapas de colheita, processamento, embalagem e suporte para comercialização por meio de programas institucionais como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos).
A produção proporciona renda e segurança para a família de Marcos, além de possibilitar a permanência no campo com qualidade de vida.
O projeto é parte de um conjunto maior: está entre os 157 projetos apoiados na Fase I do REM-MT. Esse programa reconhece os resultados do Estado na redução do desmatamento, com financiamento proveniente dos governos da Alemanha e do Reino Unido.
De 2019 a 2025, os investimentos do Governo de Mato Grosso por meio da Seaf em Aripuanã ultrapassam R$ 8 milhões, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar.
A história do Sítio Estrela Seleste mostra que políticas públicas bem estruturadas podem transformar áreas degradadas em unidades produtivas. A cultura do cacau, por ser nativa da Amazônia, apresenta potencial para longevidade — há registros de pés com até 40 anos ainda produtivos em locais de clima similar.
Entretanto, manter e expandir essa produção enfrenta desafios comuns: acesso contínuo a assistência técnica, superação de perdas iniciais (como mudas que morrem), adequação de infraestrutura (irrigação, armazenagem, transporte), e garantias de mercado para escoamento da produção com preços justos. Marcos destaca que houve perdas iniciais, mas o suporte governamental foi essencial para reposição de mudas e continuidade do trabalho.
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