A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mobilizou fortes críticas dos Estados Unidos, que classificaram o veredito como um “acontecimento sombrio” e prometeram uma resposta diplomática e política. O episódio eleva ainda mais as tensões entre os dois países.
Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e outros delitos.
A decisão foi tomada por maioria de votos, com quatro ministros a favor da condenação e um contra.
Darren Beattie, subsecretário de Estado dos EUA para Diplomacia Pública, afirmou que a condenação representa um “marco fatídico” num contexto de suposta censura e perseguição por parte do ministro Alexandre de Moraes, a quem acusa de violar direitos humanos e mirar Bolsonaro e seus apoiadores.
Segundo Beattie, o governo americano está levando “este acontecimento sombrio com a máxima seriedade”.
Outro pronunciamento veio do vice-secretário Christopher Landau, que disse que os Estados Unidos “condenam o uso da lei como arma política” e afirmou ver o julgamento como um direcionamento judicial que coloca em risco o Estado de direito.
O Itamaraty reagiu classificando as declarações dos EUA como uma tentativa de intimidação, ressaltando que as ameaças externas “não intimidarão a democracia brasileira”.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores lembrou que o Judiciário atuou com independência, conforme a Constituição de 1988, e que os réus tiveram direito de defesa.
A crítica americana e promessas de reação podem abalar as relações bilaterais, especialmente nas áreas de comércio, cooperação internacional e diplomacia.
Existe especulação de que os EUA poderão impor sanções ou outras medidas, caso considerem que houve abuso institucional ou violação de direitos humanos.
A declaração também pode alimentar debates sobre a separação dos poderes, o funcionamento do sistema eleitoral e judicial brasileiro, tanto interna como externamente. Analistas veem risco de que o Brasil seja alvo de críticas de organismos internacionais e movimentos de direitos humanos.
A condenação de Bolsonaro é histórica no Brasil, por ser a primeira vez que um ex-presidente é condenado por crimes de tentativa de golpe e abuso institucional dessa magnitude.
A reação dos EUA não é isolada: Marco Rubio já havia falado em “resposta à altura”; Donald Trump expressou surpresa e repulsa, falando de perseguição política.
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