Cientistas anunciaram nesta quarta-feira (4) um avanço inovador no campo da robótica com o desenvolvimento do RAVEN, um robô inspirado em aves que pode caminhar, saltar e até voar, de maneira autônoma, sem depender de pistas de decolagem.
Publicado na revista científica "Nature", o estudo promete ampliar as possibilidades de utilização dos chamados veículos aéreos não tripulados (VANTs), especialmente em terrenos mais difíceis para socorro em desastres, como áreas de difícil acesso ou regiões remotas e com obstáculos.
Fora isso, a pesquisa também pode ser aplicada na saúde, como no desenvolvimento de próteses e dispositivos de mobilidade.
Isso porque o simpático pássaro-robô foi criado para imitar os movimentos de aves, mais especificamente as pernas e os movimentos de decolagem dos pássaros, como corvos e gralhas, que são conhecidos por alternar entre andar e voar com facilidade.
E esse design inovador permite que o RAVEN (acrônimo em inglês para Veículo Robótico Inspirado em Aves para Múltiplos Ambientes, em tradução livre) decole saltando, o que aumenta significativamente sua eficiência em relação a outros drones que não possuem essa capacidade.
"Ao observar as aves, percebi que sua estratégia de decolagem é bastante diferente dos métodos de decolagem das plataformas de engenharia, embora os aviões tenham sido inventados com inspiração nas aves", conta ao g1 Won Dong Shin, autor do estudo e doutorando do Laboratório de Sistemas Inteligentes (LIS) da Escola de Engenharia da Escola Politécnica Federal de Lausana, na Suíça.
"Aviões convencionais precisam de uma pista longa e livre de obstáculos ou um lançador para decolar, enquanto as aves podem decolar de qualquer lugar, sem qualquer ajuda externa", completa.
Shin diz que essa habilidade das aves, que lhes permite transitar facilmente entre os modos terrestre e aéreo, é um fator-chave para que elas consigam alcançar lugares mais distantes. E isso o intrigou tanto que ele quis conectar essa ideia ao desenvolvimento de robôs aéreos.
Ao usar esse salto para impulsionar sua decolagem, o RAVEN economiza energia e atinge uma velocidade inicial de voo mais alta, o que facilita sua ação em áreas mais complexas.
Com isso, os cientistas do LIS esperam que o pássaro-robô ossa expandir as capacidades atuais dos drones, permitindo que eles operem em ambientes mais desafiadores e complexos.
Isto é, por causa dessa sua versatilidade, o robô pode ser especialmente útil em missões de resgate, inspeção em áreas de difícil acesso e monitoramento de regiões com terrenos irregulares, onde drones tradicionais não têm a mesma eficiência.
"Traduzir as pernas e os pés das aves para um sistema robótico leve nos apresentou desafios de design, integração e controle que as aves resolveram de maneira elegante ao longo da sua evolução", explica Dario Floreano, que também participou do estudo e é diretor do EPFL.
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