O município de Juína tem enfrentado um aumento alarmante no número de casos de hanseníase, o que tem gerado grande preocupação entre as autoridades de saúde e a comunidade local. A hanseníase, uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, pode levar a complicações severas se não for tratada adequadamente.
A Dra. Andreia Tomborelli Teixeira, médica da família e especialista em hanseníase, relatou que Juína está entre os municípios do estado com a maior carga de pessoas em tratamento contra a doença. Atualmente, estima-se que cerca de 700 pessoas estejam em tratamento na cidade.
A Dra. Andreia explicou que a transmissão da hanseníase ocorre quando uma pessoa com a forma infectante da doença, sem tratamento, elimina o bacilo para o meio ambiente. Esse processo acontece principalmente pelas vias aéreas superiores, como espirros, tosse ou fala, e não por objetos utilizados pelo paciente. Para que a transmissão ocorra, é necessário um contato próximo e prolongado com o doente. Pessoas com baixa carga bacilar não são consideradas importantes fontes de transmissão devido à quantidade reduzida de bacilos eliminados.
O período de incubação da hanseníase é geralmente longo, variando entre dois e sete anos, mas pode ser inferior a dois anos ou superior a dez anos.
Os sinais e sintomas mais frequentes da hanseníase incluem:
- Manchas na pele, que podem ser brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas, acompanhadas de alteração na sensibilidade térmica (calor e frio), dolorosa ou tátil (tato).
- Comprometimento dos nervos periféricos, frequentemente com espessamento (engrossamento), associado a alterações sensitivas, motoras ou autonômicas.
- Áreas com diminuição dos pelos e do suor.
- Sensação de formigamento e/ou fisgadas, especialmente nas mãos e pés.
- Diminuição ou ausência de sensibilidade e força muscular na face, mãos ou pés.
- Caroços (nódulos) no corpo, que podem ser avermelhados e dolorosos em alguns casos.
A Dra. Andreia Tomborelli destacou que um dos maiores desafios no combate à hanseníase é o preconceito. Muitas pessoas evitam buscar diagnóstico devido ao estigma associado à doença, o que contribui para a propagação contínua da infecção.
O aumento dos casos de hanseníase em Juína serve como um alerta para a necessidade de intensificação das ações de conscientização e diagnóstico precoce. As autoridades de saúde estão empenhadas em enfrentar o preconceito e melhorar o acesso ao tratamento, para que a doença possa ser controlada e eventualmente erradicada na região.
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