O Projeto de Recuperação de Nascentes, liderado pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), está promovendo a revitalização de áreas críticas no município de Juína. Um dos coordenadores do projeto, professor do IFMT Josemir Paiva, explica que o programa segue uma metodologia estruturada em dez passos, essencial para reverter os impactos ambientais sofridos pelas nascentes locais.
Josemir explicou que o primeiro passo é o controle da braquiária em áreas de pecuária extensiva. Muitas dessas nascentes perderam a vegetação nativa, substituída pela braquiária, o que causou um grande impacto. Foi iniciado com a roçada e capina dessa área, seguida pelo plantio de mudas. Hoje, essas mudas já ultrapassam os dois metros de altura, um ano após o plantio.
A regeneração da vegetação é o segundo passo do projeto, complementada pelo plantio de espécies fixadoras de fósforo e nitrogênio, como o feijão banda e o margaridão, que desempenham importantes funções ambientais. O isolamento das áreas recuperadas é outra medida fundamental para evitar a entrada de animais que poderiam danificar o processo de recuperação.
A instalação do sistema de barraginhas é crucial para frear a erosão e recarregar o lençol freático, impedindo que as nascentes continuem sendo soterradas. Josemir explicou que em casos necessários é feita a limpeza das nascentes e utilizamos o sistema Caxambu para garantir a proteção e captação adequada da água.
O monitoramento constante da vazão hídrica e da qualidade física, química e microbiológica das nascentes é parte integral do processo, que, segundo Paiva, é contínuo e requer tempo e dedicação.
O próximo passo do projeto envolve a implementação de um sistema de curva de nível na bacia hidrográfica do Passo Preto. Um levantamento aerofotogramétrico da bacia vais ser feito e depois se dará início à instalação do sistema. É um trabalho complexo, mas que conta com a parceria de diversas instituições, como a Associação Nova Conquista, o Ministério Público, a Escola Paulo Freire, e a Prefeitura de Juína.
O biólogo Wagner Smermam, também coordenador do projeto, ressalta a importância da iniciativa para a recuperação do volume do Rio Perdido, que abastece a zona urbana e parte da zona rural de Juína. Nas últimas décadas, o volume do rio diminuiu drasticamente devido às mudanças climáticas. Foram recuperadas 17 das 26 nascentes do córrego Passo Preto, que forma o Rio Perdido, e o trabalho continua para restaurar as restantes.
O projeto é de extrema relevância para enfrentar as mudanças climáticas e garantir a sustentabilidade hídrica. Estamos vivendo eventos climáticos extremos, como o super El Niño e os alagamentos no Rio Grande do Sul. Precisamos preparar o município para essas realidades. As barraginhas, que são escavações feitas no caminho das águas pluviais para recarregar o lençol freático, são uma técnica eficiente nesse contexto. Ao todo, foram implementadas 100 barraginhas na bacia, e os efeitos positivos serão visíveis a longo prazo.
Com esforços conjuntos e um planejamento estratégico, o Projeto de Recuperação de Nascentes em Juína está pavimentando o caminho para um futuro mais sustentável, garantindo a disponibilidade de água para as gerações futuras e fortalecendo a resiliência do município frente às adversidades climáticas.
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