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NOTÍCIA

ILHA DO MARAJÓ E A EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Data: Terça-feira, 27/02/2024 10:29
Por: Metrô FM Juína
Imagem da Internet

Recentemente, a música "Evangelho de Fariseus" da cantora gospel Aymeê Rocha trouxe as violações de direitos humanos na Ilha do Marajó, reacendendo a discussão sobre a exploração sexual infantil na região.

A Ilha do Marajó é uma ilha costeira do arquipélago do Marajó, no estado do Pará. O Marajó detém o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Brasil, destacando a necessidade de intervenções.

Mas não é de hoje que denúncias têm sido feitas alertando sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes e de tráfico internacional de pessoas e órgãos na Ilha do Marajó.

Em abril de 2006, o bispo emérito de Marajó, Monsenhor Dom José Luiz Azcona, formalizou denúncias de exploração sexual de adolescentes em Portel (PA), ao governo federal e à Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados.

Em 2022, a ex-ministra Damares Alves, em um discurso, alegou práticas de tortura e mutilação de crianças para abuso sexual no Marajó, mas as evidências nunca foram comprovadas. Mais tarde, Damares admitiu ao MPF que as denúncias eram baseadas em relatos, não em provas.

O MPF acusou Damares de propagar fake news, buscando retratação pública e uma indenização de 5 milhões de reais por danos sociais e morais à população do arquipélago.

Após a música de Aymeê Rocha viralizar nas redes sociais, muitos famosos e influenciadores começaram a fazer postagem falando sobre o assunto.

A situação na Ilha de Marajó é desesperadora e exige discussões mais profundas referentes a violência contra crianças e adolescentes, cujo enfrentamento é de responsabilidade de todos.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado do Pará tem uma taxa de 3.648 casos de exploração sexual de menores de idade. O número ultrapassa a média nacional, de 2.449 casos.

Há relatos de crianças de 10 anos de idade se prostituindo em troca de míseros 5 reais. Casos de meninas de 15 anos que foram vendidas à pedófilos e que já estão grávidas do seu segundo filho.

Além da prostituição e abuso sexual, na Ilha existe o tráfico internacional de pessoas e órgãos, as crianças não são registradas quando nascem, pois, nascem em meio as palafitas, e isso facilita o tráfico. Afinal, se uma pessoa não é registrada é como se ela não existisse.

O Governo do Pará alega que medidas estão sendo tomadas, mas ao que parece não estão sendo o suficiente.

A pergunta que nos deixamos é, quantas crianças ainda terão que sofrer nas mãos de exploradores e abusadores para que as autoridades comecem, de fato, a tomar atitudes mais sérias para resolver o problema?