Sem desistir e perseverando sempre, o Brasil tentou endireitar a perversidade do governo e sua base, mas não foi feliz. Eles queriam e conseguiram Flavio Dino no STF. Na CCJ foram 17 votos a favor e 10 contra, e no plenário, 47 votos a favor e 31 contra. Serão tempos difíceis. Vacilaram até mesmo parlamentares da oposição, dos quais esperávamos postura mais firme e perguntas mais incisivas. Afinal, não foram poucas às vezes em que o sabatinado falhou com a nação, com os direitos do povo e com a verdadeira democracia. Como de hábito, Flavio Dino fugiu das perguntas difíceis e não respondeu às poucas perguntas importantes. A sabatina sob a presidência de David Alcolumbre foi pior do que se esperava. Começou por determinar que os dois pretendentes, Flavio Dino para o Supremo e Paulo Gonet, para a PGR, fossem sabatinados simultaneamente. Com isso, garantiu 73,5 milhões de reais em emendas parlamentares, para sua base de eleitores, no Amapá.
É esse o procedimento padrão, nessas ocasiões. Ninguém se indignou quando o, agora PGR, Paulo Gonet afirmou que a liberdade de expressão não é plena e deve ser modulada, embora modular liberdade de expressão seja coisa de ditadura. Senhores; O novo ministro não esclareceu seu apoio à Lei de Fake News, sua intenção de regular a internet, sua afirmação que o tempo de liberdade de expressão foi sepultado, seu bloqueio aos jornalistas nas redes sociais e, muito menos, ao sumiço das gravações do dia 8 de janeiro. Mesmo assim, traindo seus eleitores, a maior parte do senado apoiou Flavio Dino. Faltou-lhes competência e, sobretudo, coragem. É razoável temer pelo aumento das arbitrariedades no STF. Com sete ministros indicados pelo PT, o supremo fica pior. O Senado confirma a péssima atuação da maioria de seus membros e, nas próximas eleições, o eleitor tem o dever de apear do poder, os apoiadores dessa perigosa indicação.
Vicente Lino.