O ministro Alexandre de Moraes, em discurso no evento sobre “Dia Internacional de Combate à Corrupção”, cobrou inovação por parte do MPF no combate à corrupção que ajuda a manter o crime organizado. Até aí, parece não haver dúvida da permanente necessidade de inovação, na medida em que o crime cada vez mais se sofistica e torna mais difícil seu combate. Depois a coisa desandou e a fala do ministro ficou incompreensível, o que não é novidade. Ele afirmou, por exemplo, que a consequência da corrupção política foi a volta ao poder da “extrema direita” com “ódio” e “sangue nos olhos”. Como de hábito, não explicou como a volta ao poder, do que ele chama de extrema direita, poderia ser a causa da corrupção política e, muito menos, em que momento a direita exibiu ódio e sangue nos olhos. Em verdade, o ódio talvez se expresse por meio da prisão de idosos inocentes, alguns deles doentes e, outros que, de tão doentes, morrem na prisão como morreu Cleriston Cunha. Sobre a corrupção política, o ministro deve ter esquecido os números acumulados pela Lava Jato, que fizeram dela a maior operação contra a corrupção da história do Brasil.
E que os crimes não ocorreram não durante o governo que ele por bem chamar de extrema direita. Somente em 4 anos, de acordo com a Lei de Acesso à informação foram desviados mais de 48 bilhões de reais. Esquecendo que essa dinheirama poderia ter salvado muitas vidas, se aplicadas, por exemplo, na saúde, Moraes afirmou: “o mundo político foi atingido, o mundo político foi pego com a mão na massa, mas o mundo político não matou ninguém”. Como se vê, a sociedade continua vivendo em países diferentes das autoridades. No Brasil de lá, os milhões são desviados, os privilégios são vividos e os discursos não convencem ninguém. No Brasil real pagamos a conta, somos desrespeitados e, sem processo, acabamos mortos na prisão.
Vicente Lino.