O noticiário sobre a Operação Lava Jato só piora depois que investigadores, promotores e juízes passaram a ser perseguidos pela Justiça Brasileira. É coisa tão absurda que o ministro Gilmar Mendes, afirmou, dia desses, que o atual governo só existe por causa das ações do STF contra a Operação. As empresas cometeram crimes, confessaram a roubalheira e fizeram acordo de leniência concordando em pagar as multas corretamente aplicadas pela justiça. Agora a coisa começa a mudar. Num movimento coordenado e com o aval do presidente Lula, empreiteiras do cartel descoberto na operação Lava Jato resolveram deixar de pagar multas acertadas nos acordos de leniência com a União. E buscam acordo de repactuação dos valores da multa, junto à Controladoria-Geral da União e à Advocacia-Geral da União. As construtoras Camargo Corrêa, OAS e Odebrecht, já pediram ao governo a revisão dos acordos e interromperam os pagamentos. Em 2020, depois de dar o calote, a Andrade Gutierrez, também pediu a tal "repactuação", que, em verdade significa pagar pouco ou nada do que foi acordado, para se livrar da prisão.
Os números impressionam: Os espertalhões soltos pelo STF devem ao todo mais de 7 bilhões de reais. A Odebrecht deve 2,7 bilhões de reais e pagou pouco mais de 2 milhões. A OAS, que devia 1,9 bilhão, quitou 4 milhões. A Andrade Gutierrez, com um débito de 1,4 bilhão, pagou 429 milhões. A Camargo Corrêa, que devia 1,3 bilhão, pagou 477 milhões, a UTC quitou 39 milhões dos 574 milhões de dívidas e a Engevix, dos 516 milhões, pagou apenas 6 milhões. Falam que é preciso confirmar primeiro eventuais nulidades e depois avaliar se as fórmulas previstas em lei podem ser reexaminadas. Nesta toada e com a justiça que temos, é razoável acreditar que, daqui a pouco, os amigos do poder vão receber o dinheiro de volta e começar tudo de novo.
Vicente Lino.