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Coluna/Opinião

No Brasil, o analfabetismo dobrou por causa da pandemia de Covid-19. - Vicente Lino

Data: Terça-feira, 24/10/2023 11:55

Reportagem da Revista Oeste mostra agora, o que especialistas já alertavam durante a pandemia da covid-19. O relatório, da UNICEF, Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil, comprova o quanto o fechamento das escolas foi desastroso para a educação de nossas crianças e adolescentes. É assustador e, talvez nunca seja possível recuperar esse desastre. No período de 2019 a 2022, o percentual de crianças que não sabem ler nem escrever saltou de 20% para 40%. De 8 anos foi pior e o salto foi de 8.5% para 20,8% e de 9 anos, o aumento foi de 4,4% para 9,5%, de crianças que não sabem ler nem escrever. Um completo desastre para a educação brasileira. O especialista em Políticas Sociais, pelo UNICEF, Santiago Varella, associa diretamente o retrocesso na alfabetização ao fechamento das escolas durante a pandemia. Segundo ele, essas crianças estavam num processo mais sensível, talvez, da vida educacional, que é a alfabetização e que será necessário um esforço concentrado para que esse passivo da pandemia não se prolongue.

O relatório leva em conta o acesso das crianças a seis direitos básicos, com impactos diretos na educação. Renda, educação, informação, água, saneamento e moradia. Como se vê, esses direitos andam distantes para a maioria de nossas crianças e adolescentes.  A renda familiar é baixa, o que compromete a educação e a informação. Mais: conforme o IBGE, quase 10 milhões de domicílios brasileiros ainda não têm acesso à água encanada, e quase metade dos lares no Brasil não tem rede de esgoto. É um desastre com ou sem pandemia, na medida em que nossas escolas ficaram fechadas por muito tempo. Países europeus com melhor desempenho educacional, como Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Suécia, Cingapura e França, as escolas ficaram fechadas por menos de 90 dias. Erramos, mais uma vez, com políticas que ameaçam o futuro do Brasil.

Vicente Lino.

No Brasil, o analfabetismo dobrou por causa da pandemia de Covid-19. - Vicente Lino