A leitura do relatório sobre as arruaças do dia 8 de janeiro, em Brasília, teve todos os motivos para não ser levado a sério. Não se poderia esperar nada melhor, na medida em que a relatora, Eliziane Gama, do Maranhão foi indicada justamente pelo ministro Flavio Dino, ele mesmo suspeitíssimo de, no mínimo, omissão naqueles eventos. Afinal, as imagens o mostraram observando o movimento das janelas de seu gabinete e, não se sabe por que, não tomou nenhuma providência. É, também, o mesmo Flavio Dino que se recusou entregar as fitas, com imagens que poderiam esclarecer o que, de fato, ocorreu naquele fatídico dia. Depois, pressionado entregou apenas três de um total de mais de 200 fitas. Novamente pressionado, o ministro alegou solenemente que as fitas tinham sido apagadas, numa atitude de arrogância e prepotência. Como afirmou o Deputado Filipe Barros, “O ministro Dino sabia de tudo previamente e optou dolosamente por não fazer o uso da Força Nacional.” É esse o homem que emplacou seis maranhenses na Comissão Especial da CPMI, cujo relatório acabou de ser lido por sua subordinada e que, mais uma vez, não vai mostrar as verdades necessárias. Pois bem, o relatório da Elliziane sustenta a narrativa de golpe de Estado fracassado, tem Jair Bolsonaro como mentor intelectual, e pede o indiciamento de 61 pessoas, entre as quais oito generais.
A relatora não deu um pio sobre a falta de individualização de condutas e ignorou o fato de que quase dois mil presos foram juntados sob a pecha de serem todos golpistas. A pupila de Flavio Dino, segue sustentando a narrativa de Golpe de estado, num domingo, sem uma única arma apreendida, sem risco à rotina das autoridades no poder. Na cabeça dela, o Golpe poderia seria perpetrado por velhinhas em oração, vendedor de algodão doce, idosos e crianças. Por ter sido dominada pelo governo, a tal CPMI acabou por aprovar centenas de requerimentos sem nenhuma relação com o objeto da comissão. Serviram apenas para perseguição de inimigos. Falta espaço para os absurdos socados no relatório e sobram motivos para, mais uma vez, parte da classe política abusar da paciência de seus eleitores e dos brasileiros em geral. De novo, desrespeito com o cidadão, perda de tempo e gasto inútil do dinheiro de nossos impostos. Sem reação, continuaremos sendo levados para o precipício, por conta da irresponsabilidade de boa parte de nossa infeliz classe política.
Vicente Lino.